
Escola
viva!
Laura Cristina Nardi*
ivemos
numa sociedade onde quem tem mais é quem também é mais
valorizado; onde o TER é prioridade e o SER acaba ficando
em segundo plano.
Vivemos numa sociedade que quer vender a qualquer custo seus
produtos, não importando tanto o benefício que
os mesmos trarão para a vida das pessoas, mas sim o retorno
financeiro.
Vivemos numa sociedade onde quem possui padrões de beleza,
impostos pela mesma, é melhor e tem mais chances, tanto
na vida pessoal, como na profissional.
Vivendo numa sociedade tão preocupada com bens materiais,
com a beleza externa das pessoas e com a perfeição,
poucos são aqueles que não se rendem à sedução
de tais “ideais”. E aí começa uma grande
corrida para alcançar padrões de vida, muitas vezes
inalcançáveis.
Sabendo que todos temos participação ativa nesta
realidade, é que se torna necessário um olhar diferente
em relação à vida; um olhar que comece a
tratar das questões referentes aos valores humanos, esses
essenciais para uma vida mais equilibrada.
Na escola encontramos um lugar propício para trabalhar
tais questões, pois estaremos em contato com crianças
e adolescentes que se encontram nas fases de desenvolvimento
mais importantes, onde intervenções poderão
ser duradouras.
Em se tratando mais especificamente de crianças pequenas,
em séries iniciais de aprendizagem, o que será que
as mesmas levarão para a vida dos ensinamentos deixados
pela escola? De qual professor terão mais lembranças?
Questões estas importantes para pensarmos um pouco mais
sobre como estamos conduzindo o processo de aprendizagem em
nossas escolas.
Antigamente a relação entre professor e aluno era
fria e distante, sendo que o professor era quem ensinava e o
aluno era quem ficava num lugar passivo de quem só podia
absorver o que lhe era transmitido. Por muitas vezes, isso
que lhe era transmitido nada tinha a ver com a sua realidade.
Os conteúdos eram programados sem levar em conta o contexto
dos alunos, pois a preocupação maior era com o
acúmulo de conhecimentos, com a quantidade de conteúdos
oferecidos e não necessariamente com a qualidade e serventia
dos mesmos à vida dos educandos.
Essa visão de educação vem modificando-se,
com a ajuda de educadores e escolas comprometidos com a verdadeira
aprendizagem, a aprendizagem para a vida, a qual prioriza o lado
humano, as questões que dizem respeito à vida,
nunca deixando à parte os conteúdos-base de cada
disciplina ou série, mas sim acrescentando a estes vivências
onde os alunos podem fazer relação diretamente
com a prática.
Precisamos de educadores com coragem para apaixonarem-se pela
arte de educar! Precisamos de escolas onde os educadores tenham
a liberdade de criar, de inventar, de ousar, sempre analisando
o quanto tais atividades deixarão marcas na vida dos
educandos, pois, numa escola onde os educadores sentem-se permitidos
a ir
longe, tudo pode acontecer... Inclusive, a vida ali florescer!
* Educadora e Psicopedagoga
Núcleo de Educação a Distância - Uergs
