ENEM
Ensino
privado condena ranking
Proposto pelo Ministério da Educação
como ferramenta para avaliar a qualidade da Educação
e embasar políticas
pedagógicas, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem),
vem sendo usado por instituições do ensino privado
para
despertar atenções da mídia. Algumas selecionam
alunos com melhor rendimento escolar e oferecem cursos de
capacitação. A preparação para a prova
tem especialistas, que fazem propaganda dos seus cursos levando
em conta
o interesse por uma boa colocação. Na pressa de tirar
vantagem do Enem, instituições que tentaram preparar
seus
alunos para obter bons conceitos na
prova falharam na hora de realizar a
inscrição e ficaram de fora da avaliação.
Outra distorção: alunos da rede
pública encaram a avaliação do MEC
como porta de entrada para o Ensino
Superior e não como instrumento de
aferição da qualidade do ensino.
Da Redação

m 2007, quase 4 milhões
de estudantes se inscreveram no Exame Nacional do
Ensino Médio. Como a participação na
avaliação não é obrigatória,
somente 2,8 milhões
realizaram a prova. Aliados a uma participação
menos massiva do que o esperado,
outros pontos geram debate sobre o aproveitamento
do Enem como avaliador da qualidade
da Educação e ferramenta para aperfeiçoar
a pedagogia aplicada em escolas públicas
e particulares.
Os resultados do Enem apontam o Rio
Grande do Sul com a mais alta média geral
do país: 56,27 pontos diante de 51,52 da média
nacional. Mas também revelam um dado
inquietante sobre as escolas privadas gaúchas.
Das 20 particulares melhor qualificadas
do país, nenhuma é gaúcha. Entre as
melhores escolas públicas, apenas uma do
estado conseguiu se posicionar: o Colégio Militar de Porto
Alegre, instituição federal, que
aparece na 20ª posição. Enquanto a média
das instituições gaúchas é a melhor
do país,
a das particulares fica em 10ª lugar.
Douglas Schmidt e Thomaz Barros, alunos
do Colégio Militar, conprovam a tese de
que a prova é vista por muitos alunos da rede
pública como passaporte para o Ensino Superior. Eles pensaram
na Ufrgs na hora de
se decidir pela participação no Enem. “Quero
uma vaga na Engenharia”, diz Douglas.
Seu colega prefere seguir carreira no Exército,
mas não descarta o Enem como ferramenta
para cursar uma faculdade. “Se precisar,
tenho o ingresso facilitado”, aposta
Thomaz.
Prova preparatória
O presidente do sindicato das
instituições de ensino privadas do
estado, Osvino Toillier, argumenta
que os alunos são penalizados
por terem que pagar taxa de inscrição,
da qual estão isentos os alunos
de escolas públicas. Ele também
aponta que a prova é realizada
fora dos turnos escolares, o que
inviabiliza um acompanhamento
das instituições. “Além de tudo, a
prova é num domingo e o estudante
vai por conta própria”, queixa-se.
Entre as instituições particulares
já é usual propor aulas de reforço
ou fornecer materiais de estudo
semanas antes do Enem. As
direções negam que isso seja uma
estratégia para forçar um bom resultado
e garantem que os alunos
apenas são estimulados a participar.
Mas, no Sinpro/RS, chegam
diversas denúncias trazidas por
professores sobre dirigentes que
pressionam determinados estudantes
a prestar o exame e boicotam
a participação de outros,
que teriam menos condições de
obter boas notas.
“Estão dando o estímulo errado
aos alunos: a formação de um
ranking incentiva as escolas a escolher
e até mesmo pagar para
que seus melhores alunos façam
o teste”, critica a secretária estadual
de Educação, Mariza
Abreu. O presidente do Sinepe
se diz preocupado com as possíveis
tentativas das escolas em se
favorecer do desempenho dos
seus alunos no Enem. Mas ele
admite que o ranking confere um
caráter de jogo ao processo: “o
ranking é danoso, pois fortalece
a idéia de campeonato. E pode
haver não apenas preparação do
time, mas especialmente escalação
de quem vai entrar em
campo”.
Um bom termômetro para
medir o quanto as instituições
particulares estão interessadas
numa avaliação positiva dos seus
alunos no Enem é a reação das
instituições aos resultados divulgados
em abril. O ranking provocou
protestos. O presidente do
Inep, Reynaldo Fernandes, defende
a divulgação das notas
com o argumento de que isso permite “às
instituições e às pessoas
fazerem boas escolhas”. “Fomos
ao Inep dizer que o ranking não
faz sentido, mas não fomos atendidos”,
reage Toillier.
Melhor colocado em 2006, o
Colégio Israelita comemora o
bom desempenho dos alunos também
na prova de 2007. Mas além
da superintendente educacional,
Mônica Timm de Carvalho, e dos
24 formandos que fizeram a prova,
ninguém mais soube do resultado,
porque o Israelita foi excluído
da classificação divulgada no
site do Inep. “Podem pensar que
a escola foi tão mal que nem entrou
na lista”, protesta ela, dizendo
que “a imagem da escola foi
prejudicada”. Além do Israelita,
os colégios Maristas também não
aparecem na avaliação devido a
problemas na hora do preenchimento
dos requisitos formais.
O Sinpro/RS vem acompanhando
a aplicação e os resultados
do Enem. “Consideramos importante
a avaliação da Educação
no país, mas há distorções que
comprometem a intenção do exame
nacional”, avalia a diretora de
Administração do Sindicato, Cecília
Farias.
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