Ano 13 - nº 123
MAIO de 2008



Luis Fernando Verissimo
Há pouco, na França, discutia-se a idéia de incluir nos currículos escolares, como matéria obrigatória, os anos da ocupação nazista do país e a cumplicidade do Estado francês na perseguição aos judeus, no período.



Elisa Lucinda
Nesse mesmo dia em que estudávamos
O açúcar e outros escritos dele,
um aluno dizedor de poemas me disse
que vira o próprio Ferreira Gullar
carregando um saco de arroz pela rua,
indo pra casa!



Fraga

Eu tenho uma tese sobre a razão de tanto destrambelhamento na vida atual e o porquê do mundo andar tão desconjuntado. É falta de carretas entre nós.



Marco Aurélio Weissheimer

A CPI do Detran entra numa fase decisiva neste mês de maio. O aprofundamento das investigações na Assembléia Legislativa gaúcha colocou as bancadas do governo e da oposição em rota de colisão.





Ouvidoria nas
instituições de ensino

Laura Glüer*

Ouvidoria é hoje um importante canal de comunicação nas organizações. Nasce da figura do ombudsman, que tinha como papel receber e dar encaminhamento às queixas dos cidadãos. Dos grandes jornais americanos, na década de 1960, a Ouvidoria expande-se para outros segmentos como Indústria, Varejo e Serviços. O setor educacional acompanha este desenvolvimento, a partir da década de 1990. No Ensino Superior brasileiro, ganha força com a orientação do Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior (Sinaes), que a aponta como um instrumento possível de avaliação institucional, na primeira década deste século.

A Ouvidoria pode ser compreendida como constante feedback, saudável e necessário, no momento em que a instituição de ensino busca assumir a autocrítica de seus processos. Neste sentido, permite uma avaliação voltada para a cidadania, inserida em um processo pedagógico e formativo, de ênfase qualitativa. Atua como instrumento de avaliação institucional, mas não deve perder seu foco como canal de comunicação e de construção de cidadania, no ambiente educativo.

Burocratizada e reduzida a um viés meramente quantitativo, pode ter seu papel distorcido. Compreendida erroneamente como Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC), reforça o equivocado conceito de “aluno-cliente”, o que pode ser particularmente perigoso nas instituições privadas.

O argentino Mario Kaplun alcunhou o termo “educomunicador” àquele sujeito que acredita na mediação da comunicação com e para a Educação, enquanto ação política de intervenção no social fragmentado e complexo da pósmodernidade. Talvez seja possível dizer que o ouvidor em uma instituição de ensino deva atuar nesta perspectiva, garantindo o diálogo sem perder o foco pedagógico e formativo.

Sugere-se a formação deste ouvidor na área de comunicação – acenando um novo campo de atuação deste profissional nas instituições de ensino, para além da assessoria de imprensa – mas com sólidos conhecimentos em Educação. Deste ouvidor também são exigidas habilidades e competências multidisciplinares e formação humana pautada na ética, para agir com prudência, sigilo, liberdade, honestidade e coragem.


* Jornalista, especialista em Comunicação Organizacional, mestre e doutoranda em Comunicação, docente do Centro Universitário Metodista IPA e Faculdade IBGEN. Pesquisadora na área de Ouvidoria e associada do Portal Ouvidoria (www.portalouvidoria.com.br).

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