Ano 13 - nº 123
MAIO de 2008



Luis Fernando Verissimo
Há pouco, na França, discutia-se a idéia de incluir nos currículos escolares, como matéria obrigatória, os anos da ocupação nazista do país e a cumplicidade do Estado francês na perseguição aos judeus, no período.



Elisa Lucinda
Nesse mesmo dia em que estudávamos
O açúcar e outros escritos dele,
um aluno dizedor de poemas me disse
que vira o próprio Ferreira Gullar
carregando um saco de arroz pela rua,
indo pra casa!



Fraga

Eu tenho uma tese sobre a razão de tanto destrambelhamento na vida atual e o porquê do mundo andar tão desconjuntado. É falta de carretas entre nós.



Marco Aurélio Weissheimer

A CPI do Detran entra numa fase decisiva neste mês de maio. O aprofundamento das investigações na Assembléia Legislativa gaúcha colocou as bancadas do governo e da oposição em rota de colisão.





Reparação

á pouco, na França, discutia-se a idéia de incluir nos currículos escolares, como matéria obrigatória, os anos da ocupação nazista do país e a cumplicidade do Estado francês na perseguição aos judeus, no período.

Não sei no que deu. Não parecia uma idéia muito boa submeter a garotada aos horrores de outra época. Ainda mais uma época que, se não é mais contemporânea, ainda não foi totalmente desarmada pela distância histórica. Mas o objetivo era não esquecer, para não repetir, e passar para as novas gerações uma memória nacional inteira, sem rasuras. Embutida na idéia estava a questão do que um Estado culpado deve fazer com sua culpa. Como reconhecer o que fez com a nação e os seus cidadãos num tempo de exceção, e como reparar o que fez.

A questão da reparação foi tratada de formas diferentes quando acabou o último ciclo dos governos militares na América do Sul. No Chile, Pinochet foi ameaçado até morrer com processos, para que pagasse pelo menos judicialmente pelos anos de repressão e terror que comandou. Na Argentina, a responsabilização criminal de torturadores e seus mandantes, dos tempos da ditadura, se repete. No Brasil, preferiram a anistia. Nem os mais notórios criminosos do regime nem seus mais radicais opositores precisaram se preocupar em pagar à nação pelo que fizeram. Mas para não dizerem que ninguém pagou por nada, que o Estado brasileiro não reconheceu sua culpa e a memória nacional simplesmente deletou esta parte da nossa história, está havendo reparações, sim. Em reais, para quem se sentiu prejudicado pelo Estado desvairado. Indenizações por carreiras interrompidas, vidas alteradas, saúde abalada, dinheiro perdido ou vexame sofrido. Justiça em espécie em vez de justiça bíblica.

Os critérios e as quantias das reparações são para outra discussão, mas é curioso que em meio a toda essa furiosa indignação com o que o Jaguar e o Ziraldo vão receber, ninguém apreciou a troca pacífica que isto representa – a indenização deles e de outros pelo Estado substituindo formas de retribuição mais violentas, e menos brasileiras. Há até uma justeza poética no fato de Jaguar e Ziraldo, dois dos maiores exemplos da criatividade e da excepcionalidade brasileiras, estarem no centro dessa tempestade de opiniões. Pois somos excepcionais e criativos até nos nossos acertos de contas com a História.

(Há quem prefira o velho olho por olho a qualquer outra forma de justiça, claro. Mas isso também é assunto para outro dia).






Livros/Lançamentos.





Enade I
Entre as 20 universidades que obtiveram as piores notas no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) está a Ulbra Canoas, com a nota 2.

Enade II
Se não concordar com os métodos, o MEC poderá visitar a instituição e aplicar sanções que podem chegar à desativação do curso e...

Iluminação superfaturada I
A Secretaria de Obras e Viação (Smov) de Porto Alegre deverá ser submetida a uma auditoria extraordinária por determinação do Tribunal de Contas do Estado depois que um processo de licitação para compra superfaturada de lâmpadas para a iluminação pública foi suspenso no dia 11 de abril pelo Ministério Público Especial.









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