Ano 8 - nº 69
Março 2003



Luis Fernando Verissimo:
A alegação do deputado Pinheiro Landin de que não pode mais ser processado porque seu mandato agora é outro, o que significa que para todos os efeitos legais ele também é outro, não deve ter causado muito estranheza entre os seus pares.





Nei Lisboa:
Que maravilha ser pai, descubro. Chegou minha vez, já meio pra vovô, de escutar um “toma que o filho é teu”. São mesmo indescritíveis as emoções do parto e dos primeiros momentos de um ser humano fora da barriga da mãe.





Elisa Lucinda:

Por causa dela me criei transparente, corri riscos, briguei com grandes e defendi inocentes. Agite bastante , por ela, as porções de ingredientes do conhecimento antes de usar. Por ela, e em sua confiança, me lancei na estrada nebulosa e definida do sonho...







Os interesses do Império

Uma nova tempestade armada no céu do deserto. Doze anos depois, os Estados Unidos preparam-se* para atacar mais uma vez o Iraque a fim de depor o presidente Saddam Hussein. Em 1991, George H. Bush, pai do atual presidente dos EUA, chamou de “tempestade no deserto” a operação que praticamente aniquilou a infra-estrutura do país situado no Golfo Pérsico, com uma população de 24 milhões de habitantes, dono da segunda maior reserva mundial conhecida de petróleo, calculada em mais de 113 bilhões de barris – estima-se que outros 220 bilhões estejam ocultos sob o solo. Agora, George W. Bush justifica a intervenção militar em nome da democracia e da luta contra o terrorismo. São 210 mil militares americanos e 40 mil britânicos, com o arsenal mais poderoso e sofisticado do planeta, contra 420 mil soldados iraquianos agarrados a equipamentos obsoletos. Cabe a pergunta: por que o Iraque representa uma ameaça tão grave, a ponto de provocar a primeira guerra do século XXI?

Paulo César Teixeira

s mísseis só não cruzaram ainda antes o céu de Bagdá por causa da reação da opinião pública mundial. Em fevereiro, cerca de 6 milhões de pessoas foram às ruas em protesto contra a guerra, em 150 cidades e 60 países. Vale lembrar que as manifestações populares que ajudaram a empurrar os EUA para fora do Vietnã, no final dos anos 60, só começaram após o envolvimento no conflito. Depois, ganharam fôlego graças à cobertura da mídia, em especial às imagens da televisão. As manifestações de fevereiro de 2003, ao contrário, ocorreram antes do primeiro disparo. Adepto da doutrina da “guerra preventiva”, segundo a qual os EUA se arrogam o direito de atacar qualquer nação que, supostamente, abrigue ou favoreça a ação de terroristas, Bush foi surpreendido por uma onda de protestos de caráter igualmente “preventivo”, que mobilizou todos os continentes.

“O saldo dos atos de contestação é o fato de que elevaram imensamente o custo político da ação militar, sobretudo, no âmbito dos países aliados dos EUA, particularmente Inglaterra e Itália e, em menor medida, Espanha, Portugal e Austrália”, afirma o professor do Instituto de Relações Internacionais da PUC-RJ, Luís Fernandes. Às voltas com quedas acentuadas dos índices de pesquisa eleitoral, o primeiro-ministro britânico Tony Blair assistiu, de camarote, à reunião de 1 milhão de manifestantes, em Londres. “A guerra no deserto terá que ser rápida e fulminante. Caso contrário, as condições políticas de apoio a um conflito prolongado ficarão a cada dia mais difíceis”, completa Fernandes.

Um presidente sem estatura de estadista

Alguns analistas entendem que Bush tem motivos de sobra para atacar o Iraque. É o caso do professor de Pós-Graduação em Economia da Ufrgs, Ronald Hillbrecht, para quem Saddam é “mau e cruel, talvez o pior ditador da face da Terra”. Entretanto, ele salienta que o presidente do Iraque é extremamente racional e, como tal, “só acredita em ameaças críveis e concretas”. Cita como exemplo a mensagem enviada por Bush pai, na Guerra do Golfo, indicando que revidaria com um ataque nuclear, caso Saddam jogasse bombas químicas ou biológicas nas tropas dos EUA. Outros especialistas, no entanto, custam a crer que a iniciativa americana tenha como justificativa a natureza autoritária do regime iraquiano. “Há ditadores aos montões na África, causando morte e violência. Quando bate a fome, morrem 1 milhão de africanos em dois ou três anos e ninguém se incomoda”, ressalta Maria Aparecida de Aquino, professora de História Contemporânea da USP.

Para ela, a atitude bélica de Bush se explica por razões políticas. Antes dos atentados de 11 de setembro de 2001, contra Nova York e Washington, o presidente enfrentou séria crise de legitimidade, com a contestação da sua vitória nas urnas diante de Al Gore. “Sem espessura e densidade de um estadista, era como se ele não tivesse uma razão de ser. A reação contra o terrorismo da organização Al Qaida, de Osama Bin Laden, garantiu sustentação interna a Bush”, observa a professora da USP. A guerra é também o meio de desviar a atenção do desempenho da economia americana, que, em janeiro de 2003, fez soar o alarme do gabinete oval da Casa Branca. A inflação de 1,6% foi a pior em 13 anos – as previsões eram de 0,5%. Só o preço da gasolina aumentou 13,7% no mês, o que representa um escândalo para o consumidor americano. O déficit das transações com o exterior é o maior de todos os tempos, na ordem de US$ 435,2 bilhões, valor equivalente ao PIB do Brasil.

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Brasil quer paz, mas é "figurante" na cena internacional


José Luis Fiori

O Duplo Movimento
Alguém já disse, com razão, que o governo Lula terá que ser inventado. Quando Salvador Allende governou o Chile, no início da década de 70, intelectuais de vários cantos do mundo discutiam, em Santiago, sobre o que o seu governo deveria ser e fazer, a partir das experiências conhecidas de “transição ao socialismo”, ou dos governos de Frente Popular, da década de 30.





Um olhar interessante sobre o século vinte
Eric Hobsbawm nos apresenta sua autobiografia: Tempos interessantes - Uma vida no século XX.

Alterações femininas
Chega ao Brasil a série Mulheres Alteradas, de Maitena.

E dicas de livros.







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