Ano 8 - nº 69
Março 2003



Luis Fernando Verissimo:
A alegação do deputado Pinheiro Landin de que não pode mais ser processado porque seu mandato agora é outro, o que significa que para todos os efeitos legais ele também é outro, não deve ter causado muito estranheza entre os seus pares.





Nei Lisboa:
Que maravilha ser pai, descubro. Chegou minha vez, já meio pra vovô, de escutar um “toma que o filho é teu”. São mesmo indescritíveis as emoções do parto e dos primeiros momentos de um ser humano fora da barriga da mãe.





Elisa Lucinda:

Por causa dela me criei transparente, corri riscos, briguei com grandes e defendi inocentes. Agite bastante , por ela, as porções de ingredientes do conhecimento antes de usar. Por ela, e em sua confiança, me lancei na estrada nebulosa e definida do sonho...







Um país esfacelado pela guerra

A Guerra do Golfo, em 1991, e o posterior embargo econômico imposto pela ONU destruíram a infra-estrutura econômica do Iraque, afetando dramaticamente os índices de alimentação, saúde e educação da população. Antes, 4,5% das crianças nasciam abaixo do peso mínimo aceitável. O percentual subiu para 24,7%. A taxa de mortalidade infantil até os cinco anos de idade, que era de 26 por 1000 nascidas vivas, pulou para 131. Em outras palavras, cerca de 13% dos pequenos iraquianos morrem antes de completarem cinco anos de idade.

Entre os dias 2 e 7 de fevereiro deste ano, uma comitiva de quatro deputados federais do PT e do PC do B viajou até Bagdá para conhecer de perto as condições de vida do povo iraquiano. Lá, visitou hospitais, escolas e abrigos antiaéreos destruídos pelos bombardeios, além de manter contatos com autoridades locais. “A visita ao Al-Mansur Hospital Pediátrico, em Bagdá, foi um dos momentos mais dolorosos de nossa agenda. Não há como conter o espanto e a indignação ao ver como seres humanos são condenados a morrer, quando já existem todas as condições de cura das enfermidades que os atingem”, afirma o deputado Tarcísio Zimmermann (PT-RS), que integrou a comitiva.

O isolamento do país afetou a mesa dos iraquianos. A cesta básica distribuída a famílias de cinco membros sofreu drástica redução de proteínas e calorias. Atualmente, ela é composta apenas por 45 kg de farinha, 25 de arroz, 7,5 de açúcar, 2,5 de leite em pó, 1 de chá, 2 de detergente e 12 de sabão. A guerra deixou também graves seqüelas no sistema de ensino. Cerca de 60% dos prédios escolares foram danificados. Há carência de canetas, cadernos e livros escolares. Para agravar o quadro, o analfabetismo – que havia sido debelado na população com menos de 45 anos, entre 1975 e 1985 – voltou a preocupar. A falta de infra-estrutura escolar e a situação miserável das famílias obrigam muitos jovens a abandonarem os estudos. De acordo com o Ministério da Educação do Iraque, entre 1991 e 2002, mais de 1 milhão de crianças em idade escolar deixaram de freqüentar as escolas antes de alfabetizarem-se.

A partilha do Iraque custará bilhões de dólares

Não custa lembrar que a região do Oriente Médio é o “calcanhar de Aquiles” da política externa americana, de acordo com o coordenador do Núcleo de Estudos Estratégicos da Unicamp, Geraldo Cavagnari. Nos anos 70, era responsável por 90% do abastecimento de petróleo dos países desenvolvidos. Hoje, corresponde a 65%, com o ingresso no mercado das nações do Leste Europeu, que pertenciam ao bloco comunista. Os EUA é o maior importador e trata de poupar as próprias reservas, que devem esgotar-se em cinco anos, se o consumo interno continuar crescendo. Por isso, manter o controle sobre as fontes energéticas no exterior é questão prioritária. Além disso, o Golfo Pérsico representa importante passagem da Europa para a Ásia. “Quem não gostaria de entrar nos gigantescos mercados da China e da Índia?”, indaga Maria Aparecida.

Os interesses econômicos estão por trás também das posições de França, China e Rússia no Conselho de Segurança das Nações Unidas, em favor da via diplomática, de longo prazo, como estratégia para desarmar o Iraque, em contraposição à intervenção militar. “Na aparência, o que motiva esses países é um comportamento moral inatacável. Na realidade, a razão é puramente comercial”, afirma o professor Cavagnari, da Unicamp. Há um ano, eles assinaram pré-contratos de exploração do petróleo iraquiano no valor de US$ 45 bilhões – o embargo econômico imposto pela ONU impede que sejam colocados em prática. Além disso, está em jogo a reconstrução do país após o cessar fogo. No conflito com o Irã, a indústria petrolífera do Iraque sofreu danos significativos. Na Guerra do Golfo, foi praticamente destruída. Agora, tudo indica que não restará pedra sobre pedra. Embora seja um investimento de risco, a reconstituição da infra-estrutura iraquiana envolve algumas dezenas de bilhões de dólares. “Como até agora os EUA não deram indícios de que realizarão a partilha do Iraque, franceses, chineses, russos e alemães endureceram o jogo.”

De outra parte, França e Alemanha não querem a solução das armas porque não desejam pagar a conta. “Na Guerra do Golfo, os americanos forneceram ¾ dos meios militares e apenas ¼ dos recursos investidos na operação militar. Tudo indica que, agora, a ocupação do Iraque terá um preço ainda mais salgado”, pondera o professor Paulo Fagundes Vizentini, diretor do Núcleo de Relações Internacionais da Ufrgs. Ao mesmo tempo, ao afrontar França e Alemanha, Bush ergue uma barricada contra o avanço do euro, que a cada dia torna-se um concorrente mais aguerrido do dólar. “Não podemos esquecer que a supremacia americana está baseada em três pilares: o arsenal superior, o controle sobre as organizações internacionais e o dólar, moeda que domina os mercados mundiais.”

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José Luis Fiori

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E dicas de livros.







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