Ano 8 - nº 69
Março 2003



Luis Fernando Verissimo:
A alegação do deputado Pinheiro Landin de que não pode mais ser processado porque seu mandato agora é outro, o que significa que para todos os efeitos legais ele também é outro, não deve ter causado muito estranheza entre os seus pares.





Nei Lisboa:
Que maravilha ser pai, descubro. Chegou minha vez, já meio pra vovô, de escutar um “toma que o filho é teu”. São mesmo indescritíveis as emoções do parto e dos primeiros momentos de um ser humano fora da barriga da mãe.





Elisa Lucinda:

Por causa dela me criei transparente, corri riscos, briguei com grandes e defendi inocentes. Agite bastante , por ela, as porções de ingredientes do conhecimento antes de usar. Por ela, e em sua confiança, me lancei na estrada nebulosa e definida do sonho...







São outros


A alegação do deputado Pinheiro Landin — que estava sendo processado por comércio ilegal de hábeas-corpus, renunciou para não ser cassado, manteve seus direitos políticos, foi reeleito e está de volta na Câmara — de que não pode mais ser processado porque seu mandato agora é outro, o que significa que para todos os efeitos legais ele também é outro, não deve ter causado muito estranheza entre os seus pares. Pelo menos não entre todos. Com alguma adaptação segundo a gravidade das faltas, o argumento serve para explicar a acolhida que tiveram os senadores José Roberto Arruda e ACM e o ex-senador e agora deputado Jader Barbalho, que também renunciaram para não serem cassados, na volta ao Congresso que quase os cassou. Uma acolhida que não teve nada de extraordinária — o que é extraordinário. Se não fosse o novo escândalo em que parece estar metido, o ACM teria até recebido a presidência de uma das comissões mais importantes do Legislativo, como se nada tivesse acontecido. Pois para todos os efeitos corporativos, nada realmente aconteceu.

A tolerância com os renegados reintegrados tem uma causa nobre e outra prática. É nobre a inferência que o processo democrático purifica e regenera. Os congressistas citados não apenas foram reeleitos depois do que aprontaram, foram consagradoramente reeleitos. Os eleitores ou os inocentaram ou disseram que os queriam de qualquer jeito, culpados ou não, e eles podem dizer que estão relegitimizados pelas urnas, eticamente restaurados e moralmente zerados. Ou seja, que são outros, mesmo nos casos, como o do ACM, em que todas as evidências são de que continuam os mesmos. A razão prática é que assim se evitam constrangimentos de parte a parte, dos quase cassados e dos seus pares. O que aconteceu, aconteceu em outra vida, nunca se sabe quando pode acontecer conosco também e, afinal, é impossível legislar com saia justa.

A revista americana “Business Week” acaba de publicar uma entrevista com uma demógrafa que fez uma estimativa, a pedido do Departamento do Comércio americano, dos civis mortos na Guerra do Golfo de 91. Segundo ela, morreram 13 mil civis iraquianos durante a guerra e mais 70 mil dos efeitos da guerra na infra-estrutura do país, não incluindo as milhares de vítimas do boicote econômico que viria depois. Na época, Dick Cheney, então secretário de Defesa, dizia que era impossível avaliar o número de civis mortos. A demógrafa foi dispensada e o seu estudo desautorizado, apesar de ser apoiado pela Associação Americana de Estatística. Está no“Salon”, um bom site para se medir o que vem por aí.



José Luis Fiori

O Duplo Movimento
Alguém já disse, com razão, que o governo Lula terá que ser inventado. Quando Salvador Allende governou o Chile, no início da década de 70, intelectuais de vários cantos do mundo discutiam, em Santiago, sobre o que o seu governo deveria ser e fazer, a partir das experiências conhecidas de “transição ao socialismo”, ou dos governos de Frente Popular, da década de 30.





Um olhar interessante sobre o século vinte
Eric Hobsbawm nos apresenta sua autobiografia: Tempos interessantes - Uma vida no século XX.

Alterações femininas
Chega ao Brasil a série Mulheres Alteradas, de Maitena.

E dicas de livros.







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