Drogas na escola
Novos tempos, novos desafios. E, como sempre, a escola fica no
centro das atenções, como se tivesse o dever de consertar
todas as distorções do mundo. Porém, antes
de mais nada, precisamos entender que ela própria reflete
o mundo que está do lado de fora dos seus muros. Não
muito distante no tempo, pais aconselhavam seus filhos a não
aceitar balas de estranhos. Hoje, o problema não se restringe
aos estranhos. O público em idade escolar representa um
mercado importante para o comércio de entorpecentes. O traficante
já não está somente do lado de fora. Ele tem
assento regular em sua carteira escolar, nome no caderno de chamada
e um ambiente seguro, longe da polícia, tanto para consumir,
como para comercializar a droga na escola. De um lado está o
traficante, que também é aluno, invariavelmente menor
de idade, provável usuário, protagonizando um contexto
muito complexo, que não se restringe simplesmente ao cumprimento
da Lei. De outro, as instituições e seus representantes.
A escola, a polícia. Mas, no final das contas, quem tem
de lidar com tudo isso no dia-a-dia é mesmo o professsor.
O fato é que ninguém está ou esteve preparado
para lidar com o assunto. Na rede pública o problema fica
mais exposto por uma série de razões, enquanto nas
escolas particulares, menos. A polícia acredita que, nas
escolas, as direções preferem não encarar
o problema de frente, pois prejudicaria a imagem dos estabelecimentos.
Já as escolas, preferem ter cautela, pois, afinal, não
se trata apenas de reprimir. O certo é que, assim como tantas
outras maselas sociais, o problema da venda e do consumo de drogas
no interior das escolas se combate com informação.
Pelo menos é essa a orientação consensuada
entre todos os envolvidos no problema. Porém, é necessário
que políticas específicas, com o foco ajustado para
a questão, apontem um caminho. É urgente uma política
voltada para a educação em consonância com
iniciaticas fora da escola, pensada à luz de estatísticas
confiáveis, de experiências já realizadas em
outros locais. A cultura do consumo de drogas ilegais e legais
deve ser encarada de frente, sem hipocrisia, interesses rasteiros
e moralismos anacrônicos. Trata-se de um problema real, grave
e urgente, cujas respostas dependem não apenas da escola,
mas de toda a sociedade, porém cabe às instituições
educacionais um papel a ser assumido.