Ano 8 - nº 77
Novembro 2003



Luis Fernando Verissimo:
Fico cada vez mais marxista. Acho que há uma frase do Groucho Marx adaptável a qualquer situação. Lula fez mal em não lembrar a mais famosa delas, ao tomar posse.



Nei Lisboa:
Lá vem o verão de novo, com seu séquito de panetones, insolações e sambas-enredo. E lá vamos nós, vítimas da pressão social praiana, tratar de arrumar umas feriazinhas na areia pra família com o que...



Elisa Lucinda:

Venho pensando em como a vida é parecida com a lavoura, nos plantios, nas colheitas. E é claro o plantador não planta só uma vez; ao contrário, replanta sempre para sempre colher. E a colheita tem lá suas manhas, suas vontades, acasos e independências: há frutos cujas...





Torrente de ilusões

César Fraga

A começar pelo título deste livro Mídias sem limite: como a torrente de sons e imagens domina nossas vidas, (Todd Gitlin, civilização Brasileira, 349 páginas), já esbarramos com uma das grandes questões da vida contemporânea. Em nenhum outro momento da história, as mídias exerceram tamanho impacto cultural, como vêm desde o início do século passado e culminando em nosso tempo. Sobre Gitlin, cabe transcrever o comentário da jovem jornalista Naomi Klein, autora de No Logo, conhecido em português por Sem Logo: “Mídia não é só aquilo que vemos na TV, é a estrutura em que vivemos nossas vidas, não apenas o conteúdo, mas também o meio. Gitlin é nosso guia por esta vastidão moderna, um lugar no qual os rios correm com imagens projetadas, florestas são bosques de som, e o céu está coberto de anúncios”. Para Gitlin, porém, a mídia é ainda mais do que isso, tornou-se o centro da nossa civilização.

Antes de se pensar tratar-se de mais uma obra apocalíptica, melhor esquecer. O estilo do autor é fluido e, de certa forma, bem-humorado, para não dizer irônico. Para ele, todo livro começa com uma insatisfação, uma esperança e uma aposta. A primeira insatisfação diz respeito às coisas que o autor “pensava que sabia” sobre o tema. “Quanto mais árvores identificava menos floresta eu via”, metaforiza já na introdução. Escreve que aludimos à maior verdade sobre as mídias a partir de um erro gramatical, de forma oblíqua e não intencional. Costumamos nos referir a ela no singular: a mídia. Falamos da mídia, porém, como falamos do céu como se fossem um(a) só. Gitlin diz que algo em nosso inconsciente coletivo nos induz a esse erro. A experiência humana nos faz querer tratar as mídias no singular para não nos sentirmos confusos entre o são e o é, entre a tecnologia e o(s) significado(s) que ela transporta em seus códigos. Mesmo assim, com toda a confusão sentimos uma unidade em funcionamento. A “torrente” não tem emendas: é uma colagem de histórias lado a lado, piadinhas de programas de entrevista, fragmentos de anúncios, trilhas sonoras de trechos musicais, pedaços de notícias aos quais chamamos pomposamente de informação. Mesmo durante as edições provocadas pelo ‘zapear’ dos controles remotos, há algo que causa uniformidade: o ritmo incansável, um padrão de interrupções, uma pressão a favor da falta de seriedade sobre qualquer coisa. A textura da tela é difícil de descrever, pois nos remete ao real e ao irreal, presente e ausente, descartável e essencial, emocional e anestesiante.

Na orelha do livro, o professor e pesquisador Dênis de Moraes da UFRJ aponta a urgência da reflexão sobre o assunto, ao que chama de conseqüências socioculturais dessa enxurrada de emoções e sentimentos descartáveis, que transforma os desavisados em reféns dos encantamentos disseminados em série por telas e monitores.

Todd Gitlin é professor de cultura, jornalismo e sociologia da Universidade de Nova York, Autor de outros oito livros, ele é colaborador de algumas das principais publicações americanas, além de ser um dos editores do site www.openDemocracy.net.

Carlos Torres Gonçalves – Vida, Obra e Significado – Ernesto Cassol
A história, vida, obra e pensamento de um grande defensor do positivismo, Carlos Torres Gonçalves. O positivismo que tem como principal teórico Augusto Comte despontou para o mundo como uma religião tendo muitos adeptos no Brasil e no Rio Grande do Sul. Carlos Torres Gonçalves adotou este pensamento e fez dele parte de sua ação, no imenso projeto de colonização do Estado. Editora São Cristóvão – 336 páginas, R$ 20,00 editorasc@st.com.br

O Macaco do Rabo Feliz – Lou Zanetti com ilustrações de Cristina Burger
Livro infantil apresenta a história se passa num planeta encantado, chamado Terra, ameaçado pelas forças destruidoras do individualismo e da falta de respeito pelo meio ambiente. Livro em cores. O texto de apresentação da Contracapa é assinado por Luis Antônio Assis Brasil - Editora Literalis – 16 páginas, R$ 18,00 literalis@terra.com.br





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