Ano 12 - nº 119
NOVEMBRO de 2007



Luis Fernando Verissimo
O DNA é de esquerda ou de direita? Ele fornece argumentos para todos. Prova que todos nascem com o mesmo sistema de códigos genéticos e, portanto, são iguais – ponto para a esquerda – , mas que cada indivíduo tem uma...



Elisa Lucinda
A folha se exibe pra mim.
Me diz sou verde, no movimento.
Se espreguiça a ponto de eu avistar sua intimidade,
a clorofila das axilas.




Fraga

A língua, único músculo que diz a que veio, só não é mais exigido que o músculo cardíaco. Por isso a língua, como qualquer parte do corpo, também fica fora de forma.



Marco Aurélio Weissheimer

O dossiê “Políticos cassados por corrupção eleitoral”, produzido pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, apontou o DEM, o PMDB e o PSDB liderando o ranking de partidos que mais tiveram políticos cassados desde o ano de 2000.





MEMÓRIA
O dia em que Lutzenberger
desafiou Collor


Por Guilherme Kolling

Em março de 1990, o ecologista José Lutzenberger assumiu a Secretaria de Meio Ambiente, do governo Fernando Collor. Em vez de dar ouvido às críticas, ele preferiu ser fiel a sua tese de que não basta protestar, é preciso
agir. E assumiu a pasta com a missão de organizar a Eco-92, no Rio de Janeiro.

Ficou dois anos no cargo. Saiu a poucos meses da Conferência Mundial para o Meio Ambiente, numa demissão que não foi devidamente esclarecida. Em 2001, após um jantar na casa de amigos, já relaxado, Lutzenberger falou dos mais diversos assuntos e lembrou do episódio.

A história está registrada no livro Pioneiros da Ecologia – Breve História do Movimento Ambientalista no Rio Grande do Sul (JÁ Editores, 232 páginas), de Elmar Bones e Geraldo Hasse, cuja segunda edição chega às livrarias em novembro.

Lutzenberger explica que viajava muito, não só para organizar a Eco-92, mas também para acompanhar o presidente. E numa dessas excursões à Europa que o desentendimento ocorreu, causado pela franqueza do ambientalista.



“Um dia estávamos o Collor e eu no gabinete do primeiroministro da Áustria, naquela é poca era o Branitski. Aí o Collor, naquele inglês todo enrolado dele, fez o discurso comum dos terceiro-mundistas: ‘Nós somos um país pobre. Estamos precisando da ajuda de vocês, países ricos’.

Eu fiquei puto da vida, mas deixei eles falarem. Como ele sempre me dava a palavra depois, só olhei para trás para ver quem estava ali. Sempre tem uns caras do Itamarati junto. Naquele dia havia só dois deles, que sabiam inglês, mas não alemão. Então falei em alemão e disse para o primeiro-ministro:

— Olha, nós brasileiros temos um país incrivelmente rico. Vocês austríacos não podem nem imaginar como somos ricos. Vocês têm um território de 83 mil km2. O nosso território é de 8,5 milhões de km2, isto é, mais de cem vezes maior que o de vocês. Metade do território de vocês é de montanha gelada. Dá para fazer ski e ganhar um pouco com o turismo. Aqueles lindos vales verdes de vocês são lindos, frutíferos, mas tem oito meses de vegetação por ano. A maior parte do Brasil, com exceção daqueles desertozinhos lá do Nordeste, tem 12 meses de vegetação por ano. Nós temos um clima maravilhoso. Temos muitos recursos.

E o Collor só perguntando, não estava entendendo nada. No fim, eu disse: ‘Mas nós somos um país muito pobre. Incrivelmente pobre. Não se imagina como nós somos pobres em político decente’. Na saída, o Collor me perguntou: ‘Lutz, por que o homem riu tanto?’ Aí eu expliquei para o Collor o que eu tinha dito. Ele deu uma risadinha amarela. Três semanas depois me mandou embora”.

Depois de relatar o fato para os amigos, o ecologista ainda reforçou sua idéia sobre o Brasil: “ Somos um país extremamente rico, temos 12 vezes mais território por habitante do que o alemão, umas 30 vezes mais que o holandês. Como pode existir brasileiro sem direito a um terreno? Se na Holanda que tem um território de 40 mil km2 e 17 milhões de habitantes não tem problema, porque nós temos que ter? É uma questão de modelo e de governo decente”.





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Oscips e a terceirização administrativa
Foi assinado no ínício de outubro pela governadora Yeda Crusius o projeto de lei de criação do marco regulatório institucional das Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscips).



Pobres gastam mais nas particulares
Estudo mostra que muitas famílias pobres brasileiras, descontentes com o ensino público, estão fazendo um esforço financeiro para matricular seus filhos em instituições privadas.



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Para o filósofo e lingüista francês Jean-Claude Milner, o bruxo Harry Potter é de esquerda. Ele sustenta que as aventuras do jovem mago são”profundamente políticas” e “dialogam com a Inglaterra de hoje”.


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