Ano 12 - nº 119
NOVEMBRO de 2007



Luis Fernando Verissimo
O DNA é de esquerda ou de direita? Ele fornece argumentos para todos. Prova que todos nascem com o mesmo sistema de códigos genéticos e, portanto, são iguais – ponto para a esquerda – , mas que cada indivíduo tem uma...



Elisa Lucinda
A folha se exibe pra mim.
Me diz sou verde, no movimento.
Se espreguiça a ponto de eu avistar sua intimidade,
a clorofila das axilas.




Fraga

A língua, único músculo que diz a que veio, só não é mais exigido que o músculo cardíaco. Por isso a língua, como qualquer parte do corpo, também fica fora de forma.



Marco Aurélio Weissheimer

O dossiê “Políticos cassados por corrupção eleitoral”, produzido pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, apontou o DEM, o PMDB e o PSDB liderando o ranking de partidos que mais tiveram políticos cassados desde o ano de 2000.





Palavral trainer

língua, único músculo que diz a que veio, só não é mais exigido que o músculo cardíaco. Por isso a língua, como qualquer parte do corpo, também fica fora de forma. Pode acabar flácida e sem fôlego até para dizer polissílabos e proparoxítonas.

Aí, pela lei do menor esforço, em vez de pântano, diz pantano, interim no lugar de ínterim etc. O problema fica sério quando, assim desmilingüida, a língua nem consegue declarar algo constitucionalissimamente ou inconstitucionalissimamente.

Quer dizer, a condição física da língua pode até afetar a vida nacional. Embora não se note, a língua também ganha adiposidade: enche a boca e se torna linguaruda, capaz de inflar frases, dizendo mais que o necessário e, o que é pior, de engordar o sentido do que é dito. Temos aí um quadro de verborragia, que seria o excesso de peso da fala. Culpa da língua, incapaz de manter a linha do linguajar.


Aí é que entra um profissional que já faz falta, o palavral trainer. Ele viria para melhorar a performance das más línguas, aquelas estufadas de frases prontas, obesas de redundâncias, a ponto de perderem a agilidade oral.

Não, o palavral trainer não seria um mix de professor de dicção com fonoaudiólogo. Esses têm sua valia, porém suas funções tratam de eliminar defeitos da fala, enquanto o palavral trainer se encarregaria da aparência da linguagem, da silhueta oratória. Seria alguém para melhorar o desempenho lingüístico do ponto de vista estético-sintético, se é que já não estou precisando de um neste exato trecho.

O palavral trainer, contratado por quem quisesse deixar a língua elegante, acompanharia a pessoa no dia a dia, em exercícios rigorosos, visando a redução da expressão. Com programa adequado a cada tipo de cliente, simularia as situações onde a língua encorpada soa à toa. Clientela sobra: comunicadores, palestrantes, discursadores, fofoqueiros, todos poderiam afinar o estilo.

Os resultados agradariam a falantes e ouvintes: a pronúncia ficaria menos pronunciada, o falatório desincharia, o vocabulário ficaria esbelto. Tudo porque o palavral trainer, com a rigidez do seu método, iria corrigir o cliente durante sua rotina pessoal e funcional. Ouviria telefonemas, diálogos, discussões, explanações, e interviria no ato, influindo nas conseqüências de cada conversação. Seria o fim da eloqüência pançuda.

Bem-vindo seja ele.






Livros/Lançamentos.





Oscips e a terceirização administrativa
Foi assinado no ínício de outubro pela governadora Yeda Crusius o projeto de lei de criação do marco regulatório institucional das Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscips).



Pobres gastam mais nas particulares
Estudo mostra que muitas famílias pobres brasileiras, descontentes com o ensino público, estão fazendo um esforço financeiro para matricular seus filhos em instituições privadas.



Harry Potter, à esquerda
Para o filósofo e lingüista francês Jean-Claude Milner, o bruxo Harry Potter é de esquerda. Ele sustenta que as aventuras do jovem mago são”profundamente políticas” e “dialogam com a Inglaterra de hoje”.


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