A 4ª Bienal do Mercosul investe na visitação
de estudantes. Espera-se que mais de 300 mil visitem as mostras
espalhadas em cinco pontos da cidade. Os organizadores entendem
que a parceria com as escolas pode criar as condições
ideais para a construção de sentidos sobre a arte
contemporânea.
César Fraga
A arte pergunta

urante o mês de setembro,
a equipe do Programa Ação
Educativa, da 4ª Bienal do Mercosul promoveu um verdadeiro “arrastão” nas
redes pública e privada de ensino da capital e região metropolitana.
O objetivo, segundo o coordenador geral do programa, Fábio Coutinho, é estimular
a presença dos estudantes na bienal na expectativa de ultrapassar a marca
dos 300 mil visitantes. “Nossa intenção é organizar
expedições ao invés de excursões de alunos”,
explica. Segundo ele, o que diferencia uma e outra é que a primeira tem
um caráter mais científico e a segunda seria apenas um passeio.
Para conseguir esse intento foi contratada uma equipe de 185 mediadores, que
substituem os tradicionais monitores das edições anteriores. “O
mediador ajuda a ver e questionar sem dar respostas prontas, enquanto os monitores
apenas reproduziam informações”, justifica Coutinho. Tudo
de acordo com o slogan desta Bienal: “Arte não responde, pergunta”.
Os mediadores são estudantes de Arquitetura, Artes, Psicologia, Filosofia
e Comunicação, que participaram de um curso de preparação.
Também estão sendo promovidos Encontros de Formação
de Educadores, que são cursos e material didático oferecidos para
professores dentro da perspectiva de preparar o olhar do docente com ímpeto
de pesquisador, na intenção de que este sensibilize seus grupo
de alunos, aguçando o espírito investigativo dos mesmos.
Podem participar estudantes a partir da 3ª série do Ensino Fundamental
e professores de todos os níveis. Também podem ser organizados
grupos de visitantes de ONGs, terceira-idade, empresas, centros culturais, etc.
As visitas ocorrerão entre 4 de outubro e 7 de dezembro, período
de duração Bienal. Ao todo são seis roteiros de visitação.
As exposições ocorrerão no Santander Cultural, Margs, Memorial
do RS, Armazéns do Cais e Usina do Gazômetro. Cada visita terá duração
de 1h30min. Também estarão disponíveis o Espaço Arte-Educação-Cultura
planejado como um local de encontro, troca de informação, estudo
e pesquisa, disponibilizando biblioteca específica, videoteca, acesso à internet
e assessorias para o desenvolvimento de trabalhos pré e pós-visitação,
com programações específicas; e a Sala Virtual do Professor
hospedada no site da 4a Bienal do Mercosul
www.bienal mercosul. art.br
Com mediadores
para as escolas
 Terça a sábado,
com entradas nos seguintes horários:
Manhã
9h – 9h20 – 9h40 – 11h – 11h20 – 11h40
Tarde
13h40 – 14h – 14h30 – 15h40 – 16h – 17h
Noite
19h30
Agendamento
Das 7h45 às 19h30,
pelo telefone: (51) 3228- 0778
Obs.: A escola fará sua reserva de agendamento, verificando
roteiros e horários disponíveis. Preencherá a
ficha de visitação que será encaminhada
por fax para
confirmação do agendamento.
Fax: (51) 32126362 / 32126907
* Informações válidas para escolas públicas
e privadas de todo o Rio Grande do Sul.
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Passado e presente
Leia abaixo o que o artista plástico e curador da Bienal
do Mercosul, Nelson Aguilar, disse em entrevista exclusiva ao Extra
Classe.
Extra Classe – Como o senhor sintetiza a sua proposta
como curador desta edição da Bienal?
Nelson Aguilar – Eu acho que o meu alvo é tornar
a Bienal do Mercosul mais específica. Para o evento sobreviver,
ele precisa ter um caráter marcante. A idéia é afirmar
que se abre um pórtico para a arte latino-amaricana. Isso
se dá na própria escolha do tema, Arqueologia Contemporânea,
que faz uma ligação das raízes da arte produzida
no continente com o material atual, salvando toda essa informação
para a eternidade.
EC – Qual questão estabelece a ligação
entre o passado e o presente?
Aguilar – A questão da origem é o que liga
tudo. É o cimento que une toda a américa-latina.
Há uma dívida com os povos que habitaram o continente
antes dos europeus. Esse questionamento quanto às origens é perpétuo.
A arte contemporânea olha cada vez mais para o passado.
Uma das últimas notícias sobre arqueologia de que
se tem notícia com alguma repercussão na mídia
diz respeito ao grau de refinamento da arte xinguiana, por exemplo.
EC – Dentro da programação, o que
o senhor destacaria como o elemento que simboliza a proposta
da Bienal?
Aguilar – Por meio da ‘arqueologia genética’,
se fará o mapeamento do DNA de todos os participantes
desta Bienal. Artistas, equipe, organizadores, todos. Esse mapa
genético ficará exposto e mostrará a diversidade
presente, funcionando como um manifesto de tolerância entre
os diferentes. Tudo isso já na abertura .
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