Ano 8 - nº 76
Outubro 2003



Luis Fernando Verissimo:
Minha posição na questão dos transgênicos é um claro e firme “não sei”. Já li e ouvi tantas opiniões convincentes, para um leigo, a favor e contra, que me consolo com a idéia de que, nesse assunto, todos são leigos. Um lado diz que ainda não se...



Nei Lisboa:
Antes de mais nada, saibam que fui provocado. Pai fresco e coruja, andei evitando o assunto com medo de afogar o leitor na baba. Mas agora é justamente uma leitora, a Elizabeth Sivinski, quem pede que eu fale mais sobre a minha filhota. Ôba! E lembrem-se, vocês que pediram!



Elisa Lucinda:

Palavras de mãe costumam ecoar para sempre nos ouvidos da gente. As da minha me embalam líricas e determinantes até hoje. Rainha do otimismo responsável e atuante, minha mãe amava dignos, pobres, ricos e errantes na proporção da sua estupenda compaixão e...





Teatro de Equipe e sua história

César Fraga

O Teatro de Equipe está de volta. Não. O célebre grupo que marcou a vida cultural da capital gaúcha entre 1958 e 1962 não voltou a encenar, mas retorna em livro. Trem de Volta, de Mário de Almeida e Rafael Guimaraens (Libretos, 203 páginas), resgata a memória de um importante período da vida cultural e do teaatro gaúcho. O próprio Mário de Almeida, ao lado de Milton Mattos, Paulo José e Paulo César Peréio, foi um dos membros fundadores do Equipe. Em 1960 o grupo passaria a ter um espaço próprio para ensaios e apresentações, um local com 116 lugares, que serviu de abrigo para a intelectualidade porto-alegrense, motivando, inclusive, a proliferação de outros grupos e outros espaços. O fenômeno acabou chamando a atenção do crítico Sábato Magaldi, que desembarcou na cidade, vindo de São Paulo, em 1959, quando afirmaria no suplemento literário de O Estado de São Paulo: “Em Porto Alegre, há uma surpreendente avidez de teatro, por certo sem paralelo em outra cidade brasileira”.

Divulgação
Milton Mattos, Paulo José e
Mário de Almeida em cena de
A farsa da Esposa Perfeita

Porto Alegre vivia um momento ímpar. Ao mesmo tempo em que se comemorava o centenário do Teatro São Pedro, criava-se o Curso de Arte Dramática na Faculdade de Filosofia da Universidade do Rio Grande do Sul. Isso significava um passo importante para a profissionalização no teatro gaúcho. Para dirigir o curso, foi trazido o diretor e crítico literário Ruggero Jacobi, ex-parceiro de Lucchino Visconti na companhia oficial de teatro da Itália no pós-guerra, que já estava erradicado em São Paulo há alguns anos. O livro credita a indicação dele a nomes de peso na cultura local, entre eles, dois jovens estudantes influentes na intelectualidade gaúcha: Antônio Abujamra e Fernando Peixoto.

O Equipe existiu em um tempo de profundas transformações sociais, políticas e de comportamento, além de servir de ponto de partida para nomes como Ítala Nandi, Nilda Maria e Ivete Brandalise.

O livro obteve financiamento do Fumproarte/Prefeitura de Porto Alegre e teve sessão de autógrafos durante o Porto Alegre em Cena. Terá nova programação de lançamento prevista com atividades durante a Feira do Livro.

O lido e o escrito

Em Sobre a Literatura (Record, 304 páginas), Umberto Eco afirma que a leitura de obras literárias nos obriga a um exercício de fidelidade e respeito na liberdade de interpretação. Segundo ele, há uma perigosa heresia crítica, para a qual de uma obra literária pode-se fazer o que se queira, nela lendo aquilo que se bem entenda. “Não é verdade”, escreve, justificando que uma obra literária nos convida sim a uma liberdade de interpretação, pois propõe um discurso com muitos planos de leitura e coloca o leitor diante das ambigüidades da linguagem e da vida. A afirmação de Eco, estampada já no verso do livro é, se não um contraponto às afirmações de Roger Chartier (páginas 12 e 13 desta edição), mais um elemento para esse debate.




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Em tempos de mudança e de invenção histórica, a dificuldade teórica de entender a novidade, junto com a angústia de conviver com a incerteza, parece que estimulam a multiplicação das teses apocalípticas. Mas existem intelectuais que...





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O Teatro de Equipe está de volta. Não. O célebre grupo que marcou a vida cultural da capital gaúcha entre 1958 e 1962 não voltou a encenar, mas retorna em livro.

Livros:
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