Ano 8 - nº 75
Setembro 2003



Luis Fernando Verissimo:
Ironia do destino. Os americanos apoiaram o Saddam Hussein durante anos porque o governo secular do Iraque era uma alternativa à teocracia antiamericana no poder no Irã. Saddam já era um tirano, mas...



Nei Lisboa:
Ninguém perguntou mas vou dizer, meu Scliar favorito é o cronista da Folha de S. Paulo, onde se dedica a converter para a ficção matérias publicadas no próprio jornal. Na última que li, só pra dar um exemplo, constrói uma divertida...



Elisa Lucinda:

Não conheço o amor abstrato. Conheço o amor pelo outro, pela pátria e pelo futuro, pela vida, pela obra. Defender a dignidade do homem é, no mínimo, uma conexão ideológica, uma composição ecológica, uma convicção. Não entendo a...





Entre o real e o ideal há caminhos a percorrer

Soraya Franke*

Nos dias 22, 23 e 24 de julho, no Centro de Eventos da PUC/RS, aconteceu o VII Congresso da Escola Particular Gaúcha, evento organizado pelo Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Particular do Estado do Rio Grande do Sul (Sinepe/RS).

O congresso foi de uma qualidade irreparável, tanto do ponto de vista da infra-estrutura, quanto da performance dos palestrantes. A abertura com o professor Rui Canário, de Portugal e o encerramento com a Psicopedagoga Alicia Fernándéz, da Argentina, foram os pontos altos, marcados por uma profunda reflexão político-pedagógica. O congresso teve conteúdo, fio condutor, consistência teórica e, o que chamou a atenção, não teve retórica empresarial. Ao contrário, o temário foi explicitamente pedagógico e psicopedagógico, refletindo uma necessidade cada vez maior nas escolas privadas: reconhecer que está nos professores a principal força transformadora da educação contemporânea. Cabe aqui reproduzir literalmente o que lembrou o ilustre educador português: “Nos últimos quarenta anos, a escola é o lugar onde se produziu mais reformas e decretos. A maioria não passa de conversa fiada. O frenesi com que tentamos mudar a escola não muda nada. A principal força transformadora são os educadores.”

Em que pese o Congresso ter ocorrido durante o recesso escolar, período reservado ao merecido descanso, a receptividade ao conteúdo do evento pode ser conferido nos comentários tecidos nos intervalos. Era como se os palestrantes tivessem emprestado suas formulações às aflições e aos questionamentos dos professores. Não à toa, algumas provocações soaram como bálsamo aos cada vez mais exigidos ouvidos docentes: “Os caminhos da escola são diversos. Cada sala de aula tem seu caminho. Talvez a grande questão seja criar espaços de reflexão na escola para que os professores digam coisas sobre o que fazem e não sobre o que os outros fazem”, destacou o professor da Ufrgs, Fernando Becker.

Como bem afirmaram os palestrantes, a aprendizagem significativa não é aquela que dá respostas para os problemas, mas a que produz novos e profundos questionamentos sobre a realidade que nos cerca. Por isso, talvez, a grande pergunta que fica é sobre as condições objetivas que se tem na escola de fazer acontecer boa parte das necessidades apontadas no Congresso, na perspectiva de uma educação de qualidade e humanizadora.
Há alguns anos, o Sinpro/RS vem apontando, discutindo e problematizando, em suas diferente instâncias de participação o que chamamos de o sufoco na escola. Os professores, com as mudanças de legislação educacional e de gestão empresarial das instituições, vem acumulando, ano a ano, novas e exigentes tarefas, uma carga de trabalho que só vê fim após noites de sono perdidas ou nos finais de semana sobre livros, cadernos, relatórios, dossiês, projetos, enfim, uma infinidade de registros fora do espaço de trabalho e sob a sempre presente dúvida de que seu emprego lhe aguardará no dia seguinte.

“A escola é lugar de trabalho, nem sempre fonte de satisfação. É preciso questionar a natureza desse trabalho”, alertou o professor Rui Canário. Cabe a cada educador presente ao Congresso, professor, especialista, diretor ou dirigente, reconhecer que, no caso da educação privada, há muitos anos, o trabalho como sendo penoso se deslocou do aluno para o professor e que urge reconhecer, de fato, o que a realidade já constatou.


* diretora do Sinpro/RS – coordenadora da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer do sindicato

<< voltar




Mais Sindicato:
7º Cepep será realizado em outubro
Urcamp não paga 13º salário
Notas
CRUZEIRO DO SUL - Problemas de gestão levam colégio a fechar as portas
SINDICALIZAÇÃO - Sinpro/RS entrega prêmios
CAP - Cursos de especialização e extensão



Para o envio de cartas, sugestões e comentários para a redação ou exclusão da lista: extraclasse@sinprors.org.br - Extra Classe é uma publicação mensal do Sindicato dos Professores do Ensino Privado do Rio Grande do Sul - SINPRO/RS - Av. João Pessoa, 919 - CEP 90040-000 - Bairro Farroupilha - Porto Alegre - RS - BRASIL - Fone (51) 4009.2900 - Fax (51) 4009.2917 - http://www.sinprors.org.br