A persistência das desigualdades regionais (3)
José A. F. Alonso*

superação
do subdesenvolvimento regional implica escolha de uma combinação
de iniciativas, projetos e medidas que sejam capazes de iniciar
um processo de expansão socioeconômica que se reproduza
de forma ampliada ao longo do tempo. Essa é uma estratégia
que se contrapõe às formulações que
consideramos convencionais, caracterizadas por ações
isoladas, tópicas ou setoriais, cujos efeitos têm
se revelado superficiais, portanto, incapazes de gerar e difundir
forças dinâmicas nas economias regionais.
A formulação de iniciativas e projetos combinados
pode ser classificada em, pelo menos, duas categorias para uma
melhor compreensão. De um lado, os projetos relativos à capacidade
produtiva local, determinada pelo investimento privado. De outro
lado, as medidas mais diretamente ligadas à capacidade sistêmica
regional em geral, de competência do setor público.
Obviamente, na prática tudo deve ser tratado de forma integrada.
Do ponto de vista da economia privada, a formulação
das propostas para as regiões deprimidas deve ser precedida
de um criterioso diagnóstico socioeconômico e avaliação
das potencialidades do lugar. Nesse sentido, diversos autores sugerem,
corretamente, que essa avaliação seja realizada num
primeiro momento com dados secundários disponíveis,
o que permite delinear um primeiro cenário, no qual estejam
definidos todos os gargalos e a extensão das cadeias produtivas
localizadas na região. Uma avaliação mais
fina pode ser obtida, mediante pesquisa direta, que inclua a percepção
dos agentes privados locais sobre os limites e as possibilidades
de seus negócios e a busca de novas potencialidades que
nunca foram exploradas na região. Este trabalho é sabidamente
complexo, o que leva a concluir que os resultados não estarão
disponíveis no curto prazo.
Já na categoria das políticas públicas, há três
medidas que necessariamente estarão incluídas em
qualquer estratégia de combate às desigualdades regionais,
pelo fato de serem consideradas indispensáveis, essenciais
e por isso mesmo prioritárias em qualquer esforço
de superação do subdesenvolvimento regional. A primeira
refere-se à recuperação das finanças
públicas municipais e do Estado. A segunda é relativa
ao sistema educacional como um fator poderoso de estímulo
ao desenvolvimento. Por fim, a revitalização da rede
urbana regional, dado que as cidades constituem os pontos mais
dinâmicos do território, além de ser o lugar
onde vive a maioria da população e o espaço
de excelência para a acumulação de capital.
Estes serão os temas das próximas matérias.
* Economista da Fundação de Economia e Estatística
do Rio Grande do Sul (FEE). E-mail: alonso@fee.tche.br