Henry Sobel: “Esta guerra foi um desastre”
Em depoimento exclusivo ao Extra Classe no último dia 21
de agosto, o rabino Henry Sobel, por telefone, de São Paulo
comentou as afirmações polêmicas publicadas
em nossa edição de agosto, em que o Nobel da Paz
Adolfo Perez Esquivel, entre outras coisas, diz que os ataques
de Israel ao Líbano configuram “terrorismo de Estado”,
expressão que causou reações na comunidade
judaica da Capital.
O rabino adjetiva a guerra como lamentável, “pois
matou e feriu inocentes de ambos os lados. Uma coisa é certa,
Israel jamais teria bombardeado o Líbano se não estivessem
infiltrados no meio da população civil libanesa os
militantes do Hezbollah, uma organização terrorista
que há muitos anos vem usando o país como plataforma
de lançamento de foguetes contra a população
civil israelense e também como campo de treinamento de homens-bomba,
que acham glorioso matar o maior número possível
de homens, mulheres e crianças israelenses”. Para
Sobel, porém, Israel agiu em defesa própria, mas
adverte: “Nada justifica o sacrifício de vidas da
população civil libanesa. Infelizmente, para cada
ação há uma reação. E o Hezbollah
aproveitou, usou e abusou das condições que o próprio
governo do Líbano não conseguiu controlar”.
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Divulgação |
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"Nada
justifica o sacrifício
de vidas", diz Sobel |
Indagado sobre as causas dos ataques, o rabino pondera: “Talvez
tenha sido uma reação desproporcional, levando-se
em consideração o seqüestro dos dois soldados
de Israel. Mas é preciso observar o episódio tendo
em vista a ameaça que o Hezbollah representa na região.
O fator de desestabilização, que serve aos interesses
do Irã, tornou a ação necessária, embora
lamentável”.
Sobel comenta o artigo de Esquivel sem se deter muito. “Não
se trata de terrorismo de Estado. O único terrorismo praticado é o
do Hezbollah, e acabou prejudicando o próprio país
que o apoiou.” Sobel diz, ainda, que do ponto de vista estratégico
e político esta guerra foi “um desastre”, pois
não conseguiu desmantelar o terrorismo, principal objetivo.
Além disso, teria revelado que o Hezbollah está militarmente
muito mais forte do que Israel imaginava. “Israel e Estados
Unidos acabaram perdendo uma batalha na guerra maior entre os fundamentalistas
islâmicos e os defensores da democracia. Foi uma lástima.
Foi o maior erro militar de Israel desde sua fundação,
em 1948. Oxalá o cessar fogo possa trazer bom senso para
ambos os lados e que vidas humanas sejam poupadas no futuro”,
conclui o rabino. (
César Fraga)
