á faz
algum tempo que lançamentos de CDs de cantoras deixaram
de ser notícia. No máximo rendem tijolinhos, notas
curtas. Não porque não haja qualidade na média
das produções, longe disso, mas porque muitas vezes
se tratam de novas elises, calcanhottos, marisas e gals. Até mesmo
Maria Rita sente ainda hoje este fardo por ter estampa e registro
vocal muito próximos de sua mãe.
Foto:
Divulgação
Mas esse não é o caso deste segundo álbum
da cantora Adriana Deffenti, que carrega na capa apenas seu nome.
Apesar de segundo, o CD tem pinta de début, além
de carregar no seu interior a marca de uma artista madura, embora
jovem. Deffenti conquistou em diferentes anos os prêmios
Açorianos de artista revelação (2002) e de
melhor intérprete (2003), à época de seu primeiro
CD “Peças das pessoas”. Cada vez mais fica evidente,
nas gravações e nos shows, que ela possui um registro
vocal próprio, presença plástica marcante,
enquanto intérprete, e um repertório focado nas suas
convicções musicais, sem medo de cantar difícil
coisas que resultam fáceis de ouvir, mesmo para ouvidos
médios. E isso está no disco. A concepção
do CD passa longe da pseudomodernidade em que predominam bossas
a eletrônicas e sambas drum’n bass, até porque
isso já soa meio ultrapassado. Com predominância de
instrumentos acústicos, as músicas mostram-se bastante
orgânicas e por vezes viscerais.
Adriana escolheu para este novo trabalho canções
de Herbert Vianna (a belíssima Luca); Maria João
e Mário Laginha; Nei Lisboa e Hique Gomez; Luis Tatit; Raul
Elwanger; Vitor Ramil; entre outros. Um dos muitos pontos altos
do disco é a faixa de abertura, uma regravação
da canção O recado delas, anteriormente registrada
no disco “Chorinho feliz” (Verve Records, EUA), em
2000, pelos seus autores, a cantora Maria João e o pianista
Mário Laginha, ambos portugueses. Aliás, um outro
aspecto do CD é que ele soa internacional. Adriana arrisca-se
aqui e ali de forma muito acertada ao cantar à sua brasilidade
sulista os sotaques de Espanha e Portugal ao longo do disco, às
vezes em uma mesma canção.
Outra opção que salta aos ouvidos é a sutileza
rítmica, insinuada quando muito pela percussão tocada
por Caíto Marcondes. A predominância é dos
violões concebidos pela própria Adriana ao lado de Ângelo
Primon e Marcelo Corsetti, este último também produtor
do álbum. O CD é lançamento da gravadora Orbeat,
ligada ao grupo RBS, o que pode ajudar a dar impulso na carreira
da artista se o disco for tratado como merece pelos executivos,
principalmente em um momento em que trabalhos de artistas novos
encontram cada vez mais dificuldade de entrar no mercado.
DILEMAS
CONTEMPORÂNEOS Metamorfoses da cultura
contemporânea (Sulina,
176 p.). Organizada por Fernando Schuler e Juremir
Machado da Silva, a obra é o resultado do
Seminário Internacional Metamorfoses da
Cultura Contemporânea, realizado em outubro
de 2005. Iniciativa do Projeto Copesul Cultural,
que foca o debate sobre a cultura, o Seminário
contou com as participações de Jean
Baudrillard, Gianni Vattimo, Michel Maffesoli,
Renato Janine Ribeiro, Muniz Sodré, Sérgio
Paulo Rouanet, Carlos Roberto Cirne Lima, Donaldo
Schüler e Arnaldo Jabor. Os teóricos
abordaram questões e dilemas típicos
da época em que vivemos: catástrofes
naturais, xenofobia, guerras, entre outros.
ANÔNIMOS
A jornalista Eliane Brum, ganhadora do prêmio
Açorianos de Literatura como autora revelação,
em 1994, reúne crônicas-reportagens
publicadas no jornal Zero Hora nos anos 90 em A
vida que ninguém vê (lançamento da
Arquipélago Editorial, 208 p.). Um mergulho
no cotidiano de tragédias e comédias
dos personagens sem nome (e sem voz) das grandes
cidades para contar histórias que não
aparecem nos jornais.
DISCURSO
O professor e jornalista Álvaro Larangeira
analisa o discurso do Partido dos Trabalhadores e
da RBS, levanta os pontos opostos e convergentes,
mostrando o universo de cada uma das instituições
em Comunicação monoteísta – A
fonte dos discursos do Partido dos Trabalhadores
e da Rede Brasil Sul (Sulina, 239 p.).
EDUCAÇÃO BÁSICA
A legislação educacional vigente, questões
relacionadas à autonomia e elaboração
de projeto educacional próprio e sua prática
são retratados na obra Escola
de Educação
Básica – Institutos legais, organização
e funcionamento, de Ires Parisotto Caleieraro (Editora
Salles, 142 p.). O livro pretende ser um auxiliar
no processo administrativo das escolas. Ires Parisotto
Caldieraro é pedagoga e especialista em Educação.
Foi diretora de escola e inspetora de ensino na Secretaria
Estadual de Educação do RS.
ESPAÇOS SOCIAIS Saberes e práticas na construção
de sujeitos e espaços sociais – Educação,
geografia, interdisciplinaridade (Ufrgs, 341 p.),
organizado por Nelson Rego, Jaqueline Moll e Carlos
Aigner, apresenta reflexões e propostas para
o ensino nos níveis Fundamental e Médio.
Terceiro volume da coleção Geração
de ambiências, a obra reúne textos de
diversos autores locais (entre os quais Clarinha
Glock e Rosina Duarte), tendo como fio condutor o
ensino, a Geografia e áreas afins, sob a perspectiva
da educação popular e das experiências
práticas.
Para o envio de cartas,
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para a redação ou exclusão da lista: extraclasse@sinprors.org.br
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