
Crianças influenciadas
pela mídia
Rejane Freitas Theodoro*
partir
de inquietações e observações diárias,
venho desenvolvendo um trabalho com crianças na faixa
etária compreendida entre cinco e seis anos, o qual objetiva
investigar a influência das mídias na vida de nossas
crianças.
Enquanto pedagoga, percebo o quão perversa vem sendo a
relação das mídias com o público
infantil. Basta assistir a um programa destinado às crianças
que somos surpreendidos com propagandas apelativas, as quais
induzem ao consumismo. Em um único intervalo comercial,
encontramos desde o incentivo à escolha do xampú,
passando pelos brinquedos, lanches, até o que deve ser
consumido no jantar. Mensagens como “corpo perfeito”, “fomento à sexualidade”,
entre outras, são embutidas a todo momento.
| Ilustração:
Claudete Sieber |
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Percebe-se com isso, o quanto as mídias têm influenciado
suas escolhas. A infância está sendo cada vez mais
explorada. Existem estudos como o Born to the buy, realizado
por Julie B. Schor, que aborda tal questão. A autora relata
que crianças com apenas oito meses de idade já são
capazes de identificar uma logomarca; aos três anos, elas
são capazes de reconhecer quem pertence ao mesmo “grupo
social” pelo simples uso que faz de um objeto que vem sendo
veiculado pela mídia, como, por exemplo, o consumo de
um produto de uma determinada marca.
Tendo como base a investigação cotidiana, tenho
procurado desenvolver atividades como releitura de contos, músicas,
propagandas e programas infantis, com o intuito de oferecer às
crianças uma oportunidade de pensar a respeito de suas
escolhas.
Deixo aqui um convite aos leitores. Sugiro que façamos
algumas reflexões: “Enquanto educadores pertencentes
a uma ‘sociedade globalizada e consumista’, que educação
temos destinado aos nossos pequenos? Quais valores estão
embutidos em nossas ações cotidianas? O que pretendemos
construir junto a eles – valores de consumo, de competição,
de anulação do outro, ou, ao contrário,
pretendemos edificar uma sociedade mais justa valorizando uma
prática de vida que respeite as singularidades e as dimensões
afetiva, social e ética do ser humano?”.
Pensemos, avaliemos e invertamos a lógica que vem sendo
sustentada!
* Pedagoga – FURG (Fundação Universidade
Federal do Rio Grande); Professora do Colégio Salesiano
Leão XVIII – Rio Grande.
