Ano 11 - nº 106
SETEMBRO de 2006



Luis Fernando Verissimo
Os números têm poderes mágicos. Os números da vantagem do Lula nas pesquisas de intenção de voto, por exemplo, vêm causando uma forma de delírio na oposição, cuja última manifestação pública é a seguinte: a culpa pelo banditismo no Brasil é da esquerda..



Elisa Lucinda
Abriu o macio edredom para mim
como um zangão abre as asas para sua rainha abelha,
como um cavalheiro à sua donzela,
como um carneiro à sua quentinha ovelha,
como um cobertor de orelha ele me cobriu
e dormimos profundamente rendidos ao aconchego do outro,
como que de volta ao teto do nosso amor.



Fraga

Em solilóquios ou diálogos, é líquido e certo: córregos tatibitates, riachos silábicos, cachoeiras do palavreado, lagos e lagoas de expressões, rios de frases, tudo flui para o oceano da comunicação. A Terra é oral.



José A. F. Alonso

A formulação de iniciativas e projetos combinados pode ser classificada em, pelo menos, duas categorias para uma melhor compreensão. De um lado, os projetos relativos à capacidade produtiva local, determinada pelo investimento privado. De outro lado, as...





Crianças influenciadas pela mídia
Rejane Freitas Theodoro*

partir de inquietações e observações diárias, venho desenvolvendo um trabalho com crianças na faixa etária compreendida entre cinco e seis anos, o qual objetiva investigar a influência das mídias na vida de nossas crianças.

Enquanto pedagoga, percebo o quão perversa vem sendo a relação das mídias com o público infantil. Basta assistir a um programa destinado às crianças que somos surpreendidos com propagandas apelativas, as quais induzem ao consumismo. Em um único intervalo comercial, encontramos desde o incentivo à escolha do xampú, passando pelos brinquedos, lanches, até o que deve ser consumido no jantar. Mensagens como “corpo perfeito”, “fomento à sexualidade”, entre outras, são embutidas a todo momento.

Ilustração: Claudete Sieber

Percebe-se com isso, o quanto as mídias têm influenciado suas escolhas. A infância está sendo cada vez mais explorada. Existem estudos como o Born to the buy, realizado por Julie B. Schor, que aborda tal questão. A autora relata que crianças com apenas oito meses de idade já são capazes de identificar uma logomarca; aos três anos, elas são capazes de reconhecer quem pertence ao mesmo “grupo social” pelo simples uso que faz de um objeto que vem sendo veiculado pela mídia, como, por exemplo, o consumo de um produto de uma determinada marca.

Tendo como base a investigação cotidiana, tenho procurado desenvolver atividades como releitura de contos, músicas, propagandas e programas infantis, com o intuito de oferecer às crianças uma oportunidade de pensar a respeito de suas escolhas.

Deixo aqui um convite aos leitores. Sugiro que façamos algumas reflexões: “Enquanto educadores pertencentes a uma ‘sociedade globalizada e consumista’, que educação temos destinado aos nossos pequenos? Quais valores estão embutidos em nossas ações cotidianas? O que pretendemos construir junto a eles – valores de consumo, de competição, de anulação do outro, ou, ao contrário, pretendemos edificar uma sociedade mais justa valorizando uma prática de vida que respeite as singularidades e as dimensões afetiva, social e ética do ser humano?”.

Pensemos, avaliemos e invertamos a lógica que vem sendo sustentada!

* Pedagoga – FURG (Fundação Universidade Federal do Rio Grande); Professora do Colégio Salesiano Leão XVIII – Rio Grande.

ARTIGOS
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A sofisticada arte de Adriana Deffenti
Por César Fraga
Já faz algum tempo que lançamentos de CDs de cantoras deixaram de ser notícia. No máximo rendem tijolinhos, notas curtas. Não porque não haja qualidade na média das produções, longe disso, mas porque muitas vezes se tratam de...





Henry Sobel: “Esta guerra foi um desastre”
Em depoimento exclusivo ao Extra Classe no último dia 21 de agosto, o rabino Henry Sobel, por telefone, de São Paulo comentou as afirmações polêmicas publicadas em nossa edição de agosto, em que o Nobel da Paz Adolfo Perez Esquivel, entre outras coisas, diz que os ataques de Israel ao Líbano configuram “terrorismo de Estado”, expressão que causou reações na comunidade judaica da Capital.






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