Ano 11 - nº 106
SETEMBRO de 2006



Luis Fernando Verissimo
Os números têm poderes mágicos. Os números da vantagem do Lula nas pesquisas de intenção de voto, por exemplo, vêm causando uma forma de delírio na oposição, cuja última manifestação pública é a seguinte: a culpa pelo banditismo no Brasil é da esquerda..



Elisa Lucinda
Abriu o macio edredom para mim
como um zangão abre as asas para sua rainha abelha,
como um cavalheiro à sua donzela,
como um carneiro à sua quentinha ovelha,
como um cobertor de orelha ele me cobriu
e dormimos profundamente rendidos ao aconchego do outro,
como que de volta ao teto do nosso amor.



Fraga

Em solilóquios ou diálogos, é líquido e certo: córregos tatibitates, riachos silábicos, cachoeiras do palavreado, lagos e lagoas de expressões, rios de frases, tudo flui para o oceano da comunicação. A Terra é oral.



José A. F. Alonso

A formulação de iniciativas e projetos combinados pode ser classificada em, pelo menos, duas categorias para uma melhor compreensão. De um lado, os projetos relativos à capacidade produtiva local, determinada pelo investimento privado. De outro lado, as...





Duas luas

s números têm poderes mágicos. Os números da vantagem do Lula nas pesquisas de intenção de voto, por exemplo, vêm causando uma forma de delírio na oposição, cuja última manifestação pública é a seguinte: a culpa pelo banditismo no Brasil é da esquerda.

Segundo o delírio, a sociedade mais desigual do planeta, com um dos piores sistemas carcerários que existem, incapaz de dar segurança a seus cidadãos e oportunidade aos seus subcidadãos, mas capaz de enriquecer sua classe rentista como nenhuma outra no mundo, responsável pelo caos urbano e o caos rural, pelos sem-teto, os sem-terra e os sem-perspectiva – é o resultado de sucessivos governos de esquerda, culminando com o atual, que além de culpado histórico por tudo que criou o PCC agora o atiça contra a sociedade. Ou seja, patrocina o terror contra si mesmo.

É demais esperar sanidade num período eleitoral, mas quem preza menos a política do que o bom senso chega a desejar que nas próximas pesquisas a vantagem do Lula diminua. Para que o pânico da direita se abata e, além de todas as nossas outras desesperanças, não se desespere também do pensamento lógico no Brasil.

Mas é preciso ver o lado positivo das coisas. Pouca gente se deu conta de que, na roubalheira em Rondônia, tivemos um raro exemplo de harmonia entre Executivo, Legislativo e Judiciário!

Fiquei intrigado com uma informação que rola na internet sobre a aproximação da Terra com Marte na madrugada de 27 de agosto, o mais perto que o Planeta Vermelho chegaria de nós em 60 mil anos. Tão perto que teríamos a impressão de ver duas luas no céu. Fiquei pensando em como a aproximação era prematura: a humanidade ainda não estava pronta para dar o pulo para Marte que nos salvaria de uma Terra em decomposição. Se Marte pudesse esperar pelo menos mais uns cem anos, até que todos soubessem construir foguetes no seu quintal...

Mas aquelas duas luas me pareceram um pouco exageradas e fiz o que se recomenda em caso de qualquer dúvida, hoje. Googleei. Havia, sim, informação sobre Marte se chegando à Terra pela primeira vez na história registrada – mas em 27 de agosto de 2003. Alguém viu a notícia mas não viu a data vencida e botou na internet. Me lembrei de 27 de agosto de 2003. Marte não parecia outra Lua, só parecia um pouco maior do que Vênus.

Tudo bem. O falso aviso serviu para alguma ruminação filosófica, que sempre ajuda em momentos como este. Marte só voltará a se aproximar tanto assim da Terra em 27 de agosto de 2287. Temos tempo.






A sofisticada arte de Adriana Deffenti
Por César Fraga
Já faz algum tempo que lançamentos de CDs de cantoras deixaram de ser notícia. No máximo rendem tijolinhos, notas curtas. Não porque não haja qualidade na média das produções, longe disso, mas porque muitas vezes se tratam de...





Henry Sobel: “Esta guerra foi um desastre”
Em depoimento exclusivo ao Extra Classe no último dia 21 de agosto, o rabino Henry Sobel, por telefone, de São Paulo comentou as afirmações polêmicas publicadas em nossa edição de agosto, em que o Nobel da Paz Adolfo Perez Esquivel, entre outras coisas, diz que os ataques de Israel ao Líbano configuram “terrorismo de Estado”, expressão que causou reações na comunidade judaica da Capital.






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