Ano 13 - nº 127
SETEMBRO de 2008



Luis Fernando Verissimo
Enquanto o mundo se maravilhava com a festa de abertura da Olimpíada de Pequim, a Rússia invadia a Geórgia. Fogos de artifício de um lado, fogo de verdade do outro, e no mesmo dia.



Elisa Lucinda
Não consigo me soltar:
nem gases nem versos.
Hoje sou reverso de cantilena
antítese do poema



Fraga

Nem só de pássaros vivem os observadores: há gente que prefere observar palavras. Nem filólogos nem lingüistas, são ornitógrafos.



Marco Aurélio Weissheimer

A inauguração da pedra fundamental da nova fábrica da Aracruz em Guaíba, dia 27 de agosto, aprofunda o processo de transformação do Rio Grande do Sul em um grande produtor de eucalipto e celulose.

Especial - Sinpro/RS 70 anos de História




À espera de um milagre
Dinah Quesada Beck*

o deparar-me com a reportagem da revista Veja, publicada em 20 de agosto, a qual abordava as condições nas quais se encontra a Educação em todo o Brasil, inúmeros foram os questionamentos que fiz diante de tamanhas aberrações ali institucionalizadas. Li, reli e retornei a determinadas partes do texto que causaram maior impacto devido ao seu conteúdo falseado, duvidoso e pouco produtivo. De um modo geral, posso afirmar que através de frases equivocadas e vergonhosas generalizações sobre a Educação brasileira, sem o menor respeito à sua história e constituição, foram apresentados dados de pesquisa estrategicamente posicionados, analisados e confrontados. Argumentações maldosas de realidades educacionais distintas, e pelos profissionais de Veja desconhecidas, foram produzidas e tecidas, entre discursos e mais discursos que se compõem nessa trama de fios. Infelizmente essas severas palavras justapostas, por algum tempo, ficarão presentes na mente das pessoas que leram a matéria. Muitos são os pensamentos.

Após algumas anotações, fiz questão de torná-las conhecidas a todos. E, em meio a meus argumentos, mal podia acreditar que aquele material seria lido por milhares de pessoas. Leitores que, por desconhecimento ou crença que neste veículo de comunicação se encontrariam muitas verdades, estariam a pensar nas condições nas quais se dá a formação docente no Brasil, no modo como os professores preparam e ministram suas aulas e “o ponto que chegou” a Educação brasileira.

Talvez, o que tenha causado maior incômodo e deixado um profundo desgosto e repúdio durante a leitura foi o fato de perceber que estes profissionais sentem-se preparados para fazer pesquisa educacional e articular os dados obtidos nessas pesquisas. Como professora e estudiosa no campo da Educação, sei que essa tarefa não é fácil. Esse trabalho, definitivamente, não se dá pautado na espera por milagres. Dar força e veracidade teórica às pesquisas desenvolvidas exige preparo e constante aproximação com os aportes teóricos e a realidade estudada, além do anterior delineamento dos modos através do quais os dados são coletados, para adiante poder selecioná-los e analisálos, com profundo respeito aos sujeitos participantes da pesquisa, buscando apresentar, por fim, respostas múltiplas, provisórias e com argumentações sólidas e convincentes. Incomoda-me o fato de Veja fazer esse trabalho, e fazê-lo de modo apurado e equivocado, usando um espaço que não é seu. Desejo, por fim, que as mesmas inquietações em mim produzidas possam também mover outras tantas pessoas que leram a matéria e que essas sejam porta-vozes e transmitam que dados sobre a Educação no país não se buscam em lugares-comuns como a Veja. Não esperem por milagres. Busquem concretizar suas propostas.


* Professora do Ensino Fundamental
Mestre em Educação – UFPel
Doutoranda em Educação/PPGE/FACED/UFRGS

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Abelhas mortas
Deu no blog da Ecoagência que um apicultor de Barra do Rio Azul, interior do estado, perdeu 48 colméias das 60 que possuía.



A polêmica repor-tagem de Veja
A reportagem da revista Veja, veiculada na semana do dia 20 de agosto, intitulada Prontos para o Século XI causou forte repercussão no meio educacional.



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