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Ano 14 - nº 137
SETEMBRO de 2009



Luis Fernando Verissimo
F. Scott Fitzgerald escreveu que nas vidas americanas não havia segundo ato. É uma das suas frases mais citadas, embora ninguém saiba exatamente o que significa.



Elisa Lucinda
É claro que ando pelas ruas
e que há mirada nisso enquanto isso.
Na carona do meu rosto
na aba do meu gosto
vão os olhos de poeta
os olhos que acordam meu dia



Fraga
Ouça o Silêncio: ele sussurra seu sumiço na sociedade. Já não soa como dantes, nem dentro nem fora do quartel de Abrantes.



Marco Aurélio Weissheimer

O assassinato do agricultor sem-terra Elton Brum da Silva, dia 21 de agosto, pela Brigada Militar do Rio Grande do Sul, expôs dramaticamente o fracasso de uma política de segurança pública que tem na repressão a sua marca definidora.





CERÂMICA
Arte feita de barro

O primeiro curso superior em Cerâmica do Brasil é gaúcho. A responsável pela sua criação, há 26 anos, no Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, é uma artista plástica e professora: Maria Annita Tollens Linck, ou simplesmente Marianita. “Cerâmica é barro. Nós somos feitos de barro e vamos virar pó, um elemento simples desta matéria-prima”, diz ao explicar sua preferência por este material

Por Dóris Fialcoff

m 1983, a ceramista e então professora de Cerâmica do Instituto de Artes (IA) da Ufrgs , Maria Annita Tollens Linck, viu o seu sonho e a sua batalha serem concretizados: a criação do primeiro curso superior em Cerâmica como Arte e Expressão do país. Segundo ela, até então apenas havia cursos de engenharia cerâmica voltados à indústria.

Tudo começou com o convite feito pelo IA, em 1968, para que ela lecionasse a cadeira da disciplina de Cerâmica. “Comecei a pesquisar para poder dar aulas, tudo era novidade, pois eu não tinha professor. Fiz muitas amostras, fui a uma fábrica de esmaltes em São Paulo e realizei curso com eles”, relembra a artista. “Se em outros países a cerâmica estava adiantada, eu não podia ficar ali no ‘be a bá’”.

Porém, para Marianita – como assina suas obras –, ter apenas uma disciplina tornava impossível ensinar o necessário. Com muita insistência, pediu o dobro do horário e acabou conseguindo quatro matérias. “No fim, tínhamos oito cadeiras”, comemora. “Tiramos a cerâmica do lugar comum e a colocamos onde devia estar, ou seja, como componente da arte”.

A galerista Tina Zappoli, de Porto Alegre, entende como dupla a importância de Marianita para a arte gaúcha: “Além do trabalho como artista, que é de uma excelência difícil de se ver no meio, foi ela quem elevou a cerâmica à categoria de arte trazendo para o IA a possibilidade do aluno se formar em Cerâmica”, evidencia Tina.

Na opinião do artista visual Círio Simon, doutor em História do Brasil, Marianita ainda não foi devidamente estudada, reconhecida e, muito menos, formou-se uma consciência coletiva a respeito de sua obra, do seu magistério e das contribuições como artista. “A sua cerâmica, a ação pedagógica e a permanente atuação coletiva, por meio de sua arte, poderão conferir outro grau de identidade ao sulriograndense”, afirma Simon.

APRENDIZ – A artista plástica Tânia Zara Barreto Moreira foi aluna de Marianita e também o seu braço direito, tanto que em 1991, quando a mestra se aposentou, assumiu como coordenadora do curso de Cerâmica. “Eu fiz vestibular para Pintura e até então nunca tinha tocado no barro. Mudei para Escultura pela possibilidade de fazer Cerâmica, e a Marianita foi bastante responsável pela escolha”, revela Tânia, afirmando ainda ter acompanhado de perto a luta para a implantação do curso de Cerâmica. “Ela foi muito guerreira, principalmente contra os que teimavam em dizer que cerâmica não era arte”, elogia, finalizando: “Marianita é uma rocha, cujo interior guarda a mais fina e delicada porcelana”.






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