urante
o lançamento do marco
regulatório para exploração
do pré-sal, em Brasília, no último
dia 31, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva classificou o pré-sal
como sendo “dádiva”. Porém, disse
também que se o país não fizer as
escolhas certas, as gigantescas reservas
de petróleo poderão ser transformar
em uma “maldição”. O presidente
teme que se repita no Brasil
o que foi visto em países pobres
que descobriram grandes reservas
de petróleo. Em sua explanação,
Lula alertou: “essas nações passaram
a exportar o óleo cru a qualquer
preço. Caíram na tentação do
dinheiro fácil e acabaram por destruir
suas indústrias e a economia.
O bilhete premiado pode transformar-se em fonte de grandes problemas”.
A receita para evitar isso seria
manter a maior parte dos lucros
com a exploração no país, não sermos
somente exportadores de óleo
cru e que o dinheiro seja investido
no combate à pobreza e nas áreas
de Educação, Ciência e
Tecnologia e Cultura. Ao discursar,
Lula saiu em defesa da
Petrobras e alfinetou o governo
FHC por ter classificado a estatal
de “último dinossauro a ser
desmantelado”, chegando até a
sugerir a mudança de nome da
empresa. O novo marco
regulatório propõe que a União
poderá aumentar o capital da
Petrobras. A estimativa é de um
acréscimo de US$ 50 bilhões.
Além da capitalização da estatal,
os projetos de lei encaminhados
ao Congresso Nacional
preveem a criação de uma nova
estatal, a Petro-sal, e de um fundo
social, que vai usar parte do
dinheiro da exploração do pré-sal
no combate à pobreza e em ações
educacionais, culturais e de ciência
e tecnologia. A oposição já disse
que vai dificultar a tramitação.
PRÉ-SAL
II Petroleiros
defendem monopólio estatal
A Federação Única dos Petroleiros
(FUP), ligada à CUT,
defende o monopólio estatal na
exploração e comercialização
das jazidas da camada pré-sal.
A proposta faz parte de um anteprojeto,
elaborado pela entidade,
para a nova lei do petróleo,
apresentado ao governo federal.
A proposta determina o
fim dos leilões das jazidas, de
maneira que a exploração de
petróleo no país fique sob a responsabilidade
da Petrobras. Para
a FUP, a Petrobras, atualmente
uma sociedade de economia
mista, deve voltar a ser uma empresa
inteiramente pública. Para
o gerenciamento dos recursos
oriundos da exploração, a FUP
defende a criação de um fundo
social soberano, cuja gestão inclua
a participação de representantes
dos trabalhadores.
PRÉ-SAL III Ato público
em Porto Alegre No dia 24 de agosto, em Porto
Alegre, o Comitê Gaúcho em Defesa
do Pré-sal realizou ato público
na Esquina Democrática e fez
uma caminhada até a Praça da
Alfândega. Durante o evento foi
distribuído o boletim “O Pré-sal é
Nosso”, convocando a população
a se manifestar em defesa da nacionalização
da camada de petróleo
encontrada em alto mar, entre os
estados de Santa Catarina e Espírito
Santo. Neste sentido, no dia
1º de setembro houve uma aula
pública no salão de atos da Universidade
Federal do Rio Grande
do Sul (Ufrgs) ministrada pelos
professores Ildo Sauer, da USP, e
Carlos Lessa, professor aposentado
da Universidade Federal do Rio de
Janeiro (UFRJ) e ex-presidente do
BNDES. O evento foi realizado
pela Ufrgs, Sindicato dos Petroleiros
do Rio Grande do Sul ( Sindipetro/RS) e Assembleia Legislativa.
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