Capa ampliada


Ano 14 - nº 137
SETEMBRO de 2009



Luis Fernando Verissimo
F. Scott Fitzgerald escreveu que nas vidas americanas não havia segundo ato. É uma das suas frases mais citadas, embora ninguém saiba exatamente o que significa.



Elisa Lucinda
É claro que ando pelas ruas
e que há mirada nisso enquanto isso.
Na carona do meu rosto
na aba do meu gosto
vão os olhos de poeta
os olhos que acordam meu dia



Fraga
Ouça o Silêncio: ele sussurra seu sumiço na sociedade. Já não soa como dantes, nem dentro nem fora do quartel de Abrantes.



Marco Aurélio Weissheimer

O assassinato do agricultor sem-terra Elton Brum da Silva, dia 21 de agosto, pela Brigada Militar do Rio Grande do Sul, expôs dramaticamente o fracasso de uma política de segurança pública que tem na repressão a sua marca definidora.





Psiulêncio

uça o Silêncio: ele sussurra seu sumiço na sociedade. Já não soa como dantes, nem dentro nem fora do quartel de Abrantes.

Sinta esse impronunciável assunto. Calar sobre ele é dar consistência a ele; discorrer sobre ele é dissolvê-lo no ar. E lá vou eu, luvas de veludo num teclado de pelúcia, tateando a perícia.

Imagino o mais soturno Silêncio: estará em completo silêncio, repleto de ausências de ressonâncias? Deve haver, em alguma inaudível fronteira acústica, o Silêncio Absoluto – que nem o mais apurado ouvido absoluto consegue captar. Imensa mansidão que repousa na paz sem voz.


Mas o som tem marés insondáveis, onde as ondas sonoras não se aquietam nunca. Nas profundezas das escalas, se insinuam no Silêncio e o deixam cheio de si, pleno de sons infras e ultras. Um Silêncio de encher o escuro e deixar animais de orelha em pé ou rabo entre as pernas. O mesmo sopro secreto de apitos invisíveis aos tímpanos humanos.

O que faz pensar na infinita e inaudita variedade de silêncios. No silêncio por constrangimento, que é, lógico, constrangedor. No silêncio compungido, sempre doloroso. No inquieto silêncio por timidez, que difere do silêncio da intimidade gêmea, ou do silêncio sinal íntimo de sisudez, e que nada têm em comum com o silêncio intimidador ou com os insuportáveis silêncios solenes, sem fim, onde sucumbimos de sono.

E existe a dessemelhança dentro do silêncio: nele podemos calar de tudo e cada coisa calada resulta num tipo singular de silêncio. Estar quieto não é a mesma coisa que estar sossegado, que não é igual a estar introspectivo, que não se parece com estar absorto, e nada disso tem a ver com estar simplesmente silente.

Já silenciar, em seu sentido seletivo, o da escolha de não silabar nem sibilar, pode ser um ato superior, enquanto o mutismo tende a ser só submissão à impossibilidade de ruído.

Por fim, o silêncio na repentina falta das sonoridades. Esse, salta nos ares e preenche áreas desocupadas de barulho. Sinistro ou não, surpreende ouvintes por seus retumbantes tons silenciosos: quando antecede, pesado, uma tormenta; no momento imediato após estrondos catastróficos; ao fim de desesperado grito rebentado ao meio; no staccato de uma poderosa sinfonia; na trégua do eco das nossas passadas solitárias na mata; em seguida a súbitas freadas na madrugada. Silêncios assim são ensurdecedores.

Silencie ante o silêncio. Sobretudo sob o de uma arma com silenciador.






PRÉ-SAL I
Presidente anuncia marco regulatório
Durante o lançamento do marco regulatório para exploração do pré-sal, em Brasília, no último dia 31, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou o pré-sal como sendo “dádiva”. Porém, disse também que...



PRÉ-SAL II
Petroleiros defendem monopólio estatal
A proposta faz parte de um anteprojeto, elaborado pela entidade, para a nova lei do petróleo, apresentado ao governo federal.



PRÉ-SAL III
Ato público
em Porto Alegre

No dia 24 de agosto, em Porto Alegre, o Comitê Gaúcho em Defesa do Pré-sal realizou ato público na Esquina Democrática e fez uma caminhada até a Praça da Alfândega.


 
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