|

A
arte de educar
Por Geni V. Moura da Costa*
ivemos
em uma época de amplas reflexões sobre o crescimento
do ser humano
em seu contexto individual, social, espiritual, cognitivo e físico.
Com
a globalização, as fronteiras vão sendo ampliadas
de forma muito rápida,
impondo a todos os níveis sociais o convívio com
uma diversidade política, racial,
econômica, religiosa e linguística que há poucos
anos não existia. Nestas condições, é
realmente um desafio para o educador preparar seus alunos para
viver – e
não só sobreviver – em sociedades cada
vez mais complexas.
O que vimos nas últimas décadas, no entanto, é uma
queda significativa e
generalizada na qualidade de ensino em todos os níveis.
Obviamente, não podemos
desconsiderar os graves problemas econômicos que atravessam
todas as classes
no país, especialmente a dos profissionais de ensino. São
frequentes os movimentos
reivindicatórios cujos acordos são habitualmente
mal negociados ou adiados.
Mas a proposta deste espaço é promover uma parada
para a reflexão sobre o
verdadeiro compromisso do educador, principalmente o que se dedica às
classes carentes,
que contam com a escola como única instituição
estruturada para auxiliá-los.
Sob que olhar as questões educacionais estão sendo
debatidas no momento?
O educador deve estar sempre atualizado e atento ao contexto social,
político
e econômico para que possa contribuir de forma mais eficaz
no crescimento pessoal
dos discentes. Mas questões financeiras e políticas
não podem estar à frente
do fator humano. Uma orientação holística
permite a formação de cidadãos com
potencial para conduzir uma vida – individual e social – mais
feliz. Em educação,
qualquer ação, por menor que pareça ser, reflete
significativamente no futuro das
pessoas, variando apenas a forma e a intensidade com que reagirá em
sua formação.
Os aprendentes de hoje precisam ser capazes de pensar, comunicar-se
e conviver
em um mercado que se reinventa a cada novo dia. A nós, educadores,
compete
direcionar esforços para agregar a formação
de nossos alunos, valores que
realmente os ajudem a crescer, e não apenas conhecimentos
teóricos. Infelizmente,
a maioria não traz “de casa” características
importantes como solidariedade,
respeito às diferenças individuais, auto-estima elevada,
criatividade, capacidade
de resolver conflitos de forma positiva e habilidades interpessoais
cooperativas.
Devemos lembrar também que a prática da educação é uma
troca: permite
que estejamos em um estado constante de aprendizado. Educar é uma
tarefa
importante e indispensável, praticada desde os primórdios
da humanidade e que,
pela dinamicidade que tem adquirido nos últimos anos, deve
sempre ser objetivo
de estudos e reflexões de toda a sociedade.
A docência, quando exercida como uma profissão, não
será relegada a um
simples trabalho ou fonte de renda. Quando envolve amor, responsabilidade
e
consciência é, acima de tudo, uma arte. Sem dúvida
uma das mais difíceis artes,
pois vai além do talento; exige maestria para “harmonizar
mentes e corpos”. Sua
obra não é para ser exposta simplesmente; é para
ser sentida e “plantada” em cada
indivíduo. Arte difícil, mas extremamente gratificante.
| Arte
Rodrigo Vizzotto/D3 Comunicação |
|
* Mestre em Linguística Aplicada. Professora
da Universidade Regional Integrada (URI) campus de Santo Ângelo.

|