PAINEL Evento
debateu jornada
e tensão no trabalho docente
ais de 150 professores participaram do painel
seguido de debate Condições de Trabalho
e Saúde do Professor, no dia 22 de
agosto, no auditório da Amrigs, em Porto Alegre.
Para Cassio Bessa, da direção do Sinpro/RS,
este foi um momento político muito importante
para a categoria. “As propostas e os encaminhamentos
em relação à saúde retirados do evento
vão colaborar para a negociação 2010”,
argumenta.
O coordenador da pesquisa, Wilson Campos,
psicólogo do Diesat, apresentou a íntegra do trabalho
aos docentes. Ele destacou os altos índices
de assédio moral em todos os níveis hierárquicos
dentro das instituições, o que, segundo o
profissional, gera o “esgarçamento” das relações
de trabalho. “Este evento é um momento em que
cada um pode contribuir para a implementação
de políticas concretas de saúde”, disse o
psicólogo.
O estudo reúne dados técnicos e sobre os
professores, podendo ser acessado no site
www.sinprors.org.br/pesquisa
Ainda em 2009, o Sinpro/RS dará continuidade à
pesquisa sobre saúde do professor, junto
com a Delegacia Regional do Trabalho e em
parceria com o Instituto de Psicologia da Ufrgs.
A pesquisa buscará identificar os níveis de stress
dos professores.
EXCESSO – O primeiro painel do dia apresentou
um panorama médico da jornada
de trabalho excessiva e seus reflexos.
O médico, analista pericial do
Ministério Público do Trabalho, mostrou
estudos científicos que comprovam
que uma jornada de mais de 40
horas semanais ou 8 horas diárias, colocam
em risco a saúde do profissional
e aumentam as chances de acidente
no trabalho.
O desembargador Emílio Papaléo
Zin, do Tribunal Regional do Trabalho
da 4ª Região, destacou o trabalho
do Sinpro/RS em levantar questões sociais da categoria,
e não apenas reivindicações
salariais. “É fato que a hora-aula não paga
tudo,
porque não evita que o professor tenha privações.
Se eu tivesse de apreciar hoje um processo
em que o professor estivesse postulando hora
extraclasse, eu daria ganho de causa ao docente”,
afirmou o desembargador.
AMBIENTE ESCOLAR – O painel da tarde
foi marcado pelo debate em torno da prática
docente. Para a doutora em Educação Eliana
Perez Gonçalves de Moura, a vida do professor é
marcada pelo planejamento e falta, muitas vezes,
espaço para refletir em cima disso. “Entre o
que se pode planejar e o que efetivamente acontece
em sala de aula está centrada toda uma
problematização”, disse a professora. Ela
acrescentou
ainda que é preciso evitar a vitimização
docente, rompendo com a ideia de “marasmo” para que o docente seja mais atuante e “supere
a barreira do que é individual e do que é coletivo”.
O juiz Luiz Antonio Colussi, presidente da
Associação dos Magistrados da Justiça do
Trabalho
da IV Região (Amatra IV), abordou a
questão da mercantilização da Educação.” Às
vezes, a escola é extremamente mercantilista e
a única preocupação é o desempenho.
Nas faculdades
de Direito, por exemplo, temos que
fazer os alunos passarem na OAB”, relatou.
Para o envio de cartas,
sugestões e comentários para a redação
ou exclusão da lista: extraclasse@sinprors.org.br -
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