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Balanço do FUNDEF - 1998 - 2000
Em março de 1999 divulgávamos o Balanço do
primeiro ano do FUNDEF. Já então apareciam claramente os primeiros
efeitos altamente positivos dessa nova sistemática de financiamento
do ensino fundamental, tornada possível pela Emenda Constitucional
nº 14, de 1996.
Estamos agora tornando público um segundo balanço,
desta vez abrangendo os três primeiros anos de funcionamento do
Fundo. O leitor irá constatar que as tendências apontadas no primeiro
Balanço se consolidaram: expansão da municipalização do Ensino
Fundamental, redistribuição dos recursos em favor dos municípios
mais pobres, melhoria da qualificação e da remuneração dos professores.
Se o efeito redistributivo das receitas aparece
como o efeito mais significativo, exatamente por ser mais sensível
aos governantes, do ponto de vista da política educacional o que
é mais relevante destacar é que essa redistribuição está permitindo
que se efetivem de forma acelerada dois objetivos importantes: a
progressiva municipalização do Ensino Fundamental, como preconizam
a Constituição e a Lei de Diretrizes e Bases, e a valorização do
magistério, condição indispensável para que se obtenham os ganhos
de qualidade que todos desejamos. Tal como já havia ocorrido em
1998, nos dois anos seguintes esses efeitos foram relativamente
mais importantes exatamente nas regiões mais carentes do país e,
nestas, nos municípios mais pobres.
Importa também destacar que esses mesmos efeitos
são constatados nos municípios das regiões metropolitanas, exceto
as capitais dos Estados, nos quais eram também grandes as carências
do sistema de ensino.
Em síntese, a participação dos municípios no volume
total de recursos do FUNDEF passa de 38% em 1998 para 45% em 2000.
No primeiro ano, 49% dos municípios brasileiros obtiveram ganhos
de receita, proporção que deverá alcançar neste ano 62%. Com isso
o dispêndio por aluno/ano, por exemplo no conjunto das municipalidades
do Nordeste, deverá registrar cerca de 108% de aumento em relação
ao que poderia ser dispendido sem o FUNDEF. Na região Norte esse
ganho deverá ser de 90%. Mesmo na região Sudeste, onde se registrou
pequena queda nos anos de 1998 e 1999, neste ano espera-se um aumento
de cerca de 20%, em razão do acentuado movimento de municipalização
das redes escolares.
Uma idéia da importância do volume de recursos
redistribuídos pelo FUNDEF pode ser obtida comparando-o com o volume
de recursos do Fundo de Participação dos Municípios, o FPM: 16%
em 1998 devendo alcançar 21% em 2000. Considerando-se apenas o conjunto
dos municípios que tem um ganho líquido de recursos com o FUNDEF,
esse volume deve alcançar o equivalente a 32% do FPM desses municípios.
Quanto à valorização do magistério o primeiro dado
importante a registrar é, que ao longo de todo o período, constata-se
uma melhoria progressiva dos salários dos professores. Em termos
percentuais, essa melhoria é mais acentuada no grupo dos professores
das redes municipais e dentre aqueles com qualificação mais baixa.
Embora pareça paradoxal, esse comportamento não surpreende, já que
os professores com apenas o ensino fundamental, completo ou incompleto,
ainda são aqueles que sustentam a oferta do ensino fundamental nas
regiões mais carentes do país. Apesar disso, a participação desse
contigente vem se reduzindo gradativamente em todas as regiões do
país, seja pelo esforço de qualificação por meio de programas especialmente
desenhados, seja pela substituição dos professores leigos por pessoal
já qualificado em cursos de magistério de nível médio ou em cursos
de licenciatura de nível superior.
Se considerarmos que, além dos recursos aportados
pelo FUNDEF, os Estados e municípios ainda contam com os recursos
do salário-educação e mais 15% da receita fiscal não incluída no
Fundo, fica evidente que o ensino fundamental no país vem recebendo
um forte impulso não apenas no sentido de incluir todas as crianças
em idade de escolarização obrigatória, mas principalmente no sentido
de assegurar as melhores condições de ensino que irão impulsionar
a qualidade da educação básica que oferecemos às nossas crianças.
Por tudo isso, analisado com detalhes no relatório
que se segue, fica-nos a certeza de que o FUNDEF vem se revelando
como uma medida acertada, que está promovendo uma verdadeira revolução
na oferta do ensino fundamental em nosso país.
Paulo Renato Souza
Ministro da Educação
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