Em mais uma demonstração de sua
política pautada pela falta de transparência
e descaso para com os trabalhadores e o
próprio futuro da Universidade, a Reitoria
da Unicruz não cumpriu as datas do
acordo coletivo firmado com os
professores e funcionários para o
parcelamento dos salários atrasados.
Fruto de exaustivas negociações e da
mobilização dos trabalhadores, que
paralisaram a Unicruz por dois dias, o
acordo foi firmado em assembléia dos
professores e funcionários, no dia 14 de
setembro, sendo homologado na Justiça
do Trabalho. O não-pagamento das
parcelas iniciais do acordo deflagrou nova
crise na Instituição e a inconformidade dos
trabalhadores com essa situação. Diante
disso, o Sinpro/RS ingressou em juízo
para execução do acordo, formalizando a
denúncia ao Ministério Público. Os professores
da Unicruz estão mais mobilizados
do que nunca.
Primeiro a Universidade deixou de
pagar, no dia 26, como estabelecia o
acordo, a parcela correspondente a multas
por atrasos salariais de 2004, bem como a
parcela dos saldos de salários de janeiro e
fevereiro deste ano. Além disso, a Unicruz,
num flagrante desrespeito aos seus docentes,
adotou conduta de extrema afronta à
seriedade das relações com seus interlocutores
ao emitir um cheque sem fundos
para pagamento do FGTS e das multas
aos professores demitidos em março.
Responsável pela crise que vem
submetendo professores e funcionários ao
constrangimento perante a comunidade, a
Reitoria também não resolveu o problema
dos empréstimos bancários consignados
como previa o acordo.
Os empréstimos bancários foram
contraídos pelos professores como forma
de os docentes terem acesso à parte dos
salários atrasados. É importante lembrar
que esses empréstimos foram feitos pela
Universidade tendo os professores como
avalistas, ou seja, trata-se de uma dívida
da Unicruz que, por conta da má gestão,
induziu o acordo e depois deixou de
cumprir a sua parte.
Agora, as instituições bancárias
voltaram a notificar os professores. Por
conta disso, muitos deles se vêem numa
situação de extrema gravidade, privados
do acesso aos serviços básicos por falta
de crédito.
Numa demonstração de solidariedade,
funcionários e professores se uniram para
fornecer cestas básicas para as famílias,
contando com o apoio, inclusive, de
professores demitidos.
O Sinpro/RS vem alertando que a crise
na Unicruz não se restringe às questões
salariais, sendo resultado de uma
ausência de planejamento e transparência
que jogam com a credibilidade e o
futuro da Instituição.
PARALISAÇÃO E ASSEMBLÉIA
Todos os trabalhadores, professores e funcionários,
estão convocados para a
paralisação do dia 10 de outubro, conforme
decisão por unanimidade da última
assembléia. No turno da manhã, haverá encontro
no salão nobre do campus, a partir
das 9h, para exposição e análise
do relatório da auditoria externa que está em
andamento na Universidade. Às 18h, será realizada
assembléia geral para discutir e
deliberar sobre os rumos da mobilização.
Paralisação e Assembléia
- Dia 10 de outubro
- 9h Concentração para um dia de paralisação
- 18h Assembléia no Salão Nobre do Campus
Avaliar o descumprimento do acordo coletivo pela Universidade,
analisar o relatório
preliminar da auditoria externa nas contas da Unicruz
e definir os rumos da mobilização.
Professores e funcionários mobilizados
A situação dos trabalhadores da
Unicruz tornou-se insustentável diante
do histórico de atrasos salariais, falta de
transparência e rompimento de acordos
que têm marcado a relação da Universidade
com seus professores. Diante de
mais um acordo rompido pela Unicruz,
os trabalhadores reafirmam a disposição
de lutar por seus direitos e por uma
atitude transparente por parte da
Reitoria. Assim, o dia 10 de outubro será mais um dia
de debates dos professores e funcionários sobre o futuro da
Instituição.
Essa não é a primeira vez que a
Unicruz deixa de honrar acordos para a
atualização de salários dos professores.
O parcelamento dos vencimentos já fora
objeto de acordo negociado pelo
Sinpro/RS e aprovado em assembléia
geral. Em troca, houve o compromisso
da Instituição de que o pagamento dos
salários seria realizado até o dia 10 de
cada mês. Na ocasião, até mesmo os
professores demissionários aceitaram o
parcelamento das verbas rescisórias. Os
docentes acataram tais condições diante
da afirmativa da Instituição de que
honraria o compromisso de regularizar a
situação, o que não ocorreu.
Essa sucessão de descumprimentos
de acordos por parte da Universidade e
do descaso da Reitoria para com os
docentes e a comunidade deve estar na
pauta dos professores. Por isso, depois
de buscar na Justiça do Trabalho a
garantia dos compromissos assumidos
pela Unicruz, o Sinpro/RS convoca a
todos para a mobilização do dia 10 de
outubro:
Professor, compareça à concentração
e à assembléia geral nesse dia de
paralisação, pois sua mobilização
construirá uma universidade verdadeiramente
comunitária.
14 DE SETEMBRO
Mobilização histórica
A poucos dias do vigésimo
aniversário da greve histórica que
paralisou o magistério privado
gaúcho, em 19 de setembro de
1985, estabelecendo o
reconhecimento dos professores
particulares enquanto categoria
profissional e consolidando o papel
do Sinpro/RS, os docentes da
Unicruz, mobilizados em
assembléias, paralisaram suas
atividades nos dias 13 e 14 de
setembro de 2005, iniciando uma
nova caminhada rumo a uma
Universidade transparente e
verdadeiramente comunitária.
Sem receber os salários, expostos ao constrangimento de
cobranças por parte das instituições financeiras
e tendo o
acesso aos serviços básicos e convênios cortados
a cada dia,
os professores decidiram que era hora de assumir uma
postura ativa para mudar essa situação. A luta
da categoria se
unificou com a dos funcionários da Universidade, que viviam
o
mesmo impasse gerado pelos atrasos salariais. Foi assim
que, no dia 13 de setembro, reunidos em assembléia no
campus, os trabalhadores da Unicruz mudaram o rumo das
negociações. Uma proposta de parcelamento dos salários
foi
considerada mais um paliativo apresentado pela Reitoria e
acabou rejeitada pela categoria, que deliberou pela
paralisação. Na quarta-feira, 14 de setembro, o
campus da
Unicruz amanheceu diferente. Eram os professores e
funcionários mobilizados pelo mais elementar e inalienável
dos direitos: o acesso ao pagamento do trabalho dignamente
realizado.
Organizados pelo Sinpro/RS e pelo Sinteep, professores e
funcionários fizeram caminhadas, encontros e manifestações
durante todo o dia. Os acessos ao campus foram fechados e a
situação enfrentada pelos trabalhadores chegou
ao
conhecimento da comunidade. Mais do que a questão salarial,
era o futuro da Universidade que começava a ser ameaçado
pela falta de transparência demonstrada pela Reitoria.
UM PROJETO PARA A UNICRUZ
A ausência de um plano para resolver a crise ficou evidente
na
avaliação feita pelo próprio Conselho Curador
da Universidade,
que em audiência com o comando de mobilização
admitiu ver “
insuficiência de competência na gestão” e “falta
de propostas
objetivas e claras” para enfrentar o impasse gerado pelos
atrasos salariais, além de reiterar o alerta dos próprios
conselheiros para o quadro de crise que se agravava a cada mês
na Universidade.
O Sinpro/RS vem alertando para a
falta de um projeto capaz de sanar as
dívidas da Unicruz e resgatar a
instituição da crise em que se encontra,
além de cobrar da atual administração
decisões que priorizem a atividade fim
da Unicruz. Em uma flagrante falta de
previsibilidade, um conselheiro chegou
a afirmar, em reunião realizada em
outubro de 2003, que a situação da
Unicruz seria sanada num prazo de
seis meses.
O agravamento das dificuldades
enfrentadas pelos trabalhadores da
Unicruz também foi relatado ao
Ministério Público, que em audiência
com o Sinpro/RS e o Sinteep reafirmou
o compromisso de acompanhar toda a
situação.
ACORDOS Choque de credibilidade
Ao assinar acordos e depois negar o que foi pactuado, a Reitoria
da Unicruz demonstra uma predisposição de protelar
decisões. Além de infringir os princípios da
negociação, joga com a credibilidade dos negociadores
e da própria instituição,
frustra mediadores e trabalhadores. O Sinpro/RS, ao longo de exaustivas
negociações e acordos rompidos ou cumpridos
minimamente pela Unicruz, vem alertando para a necessidade de um
choque de credibilidade na atual gestão frente à crise
enfrentada na atualidade e para assegurar o futuro da Universidade.
A ausência de um projeto voltado para os verdadeiros
objetivos da Unicruz transparece nos argumentos apresentados para
explicar a crise em que está mergulhada a instituição,
com uma dívida que já ultrapassa os R$ 20 milhões.
A Reitoria atribui as dificuldades financeiras a questões
salariais, a
dívidas herdadas de administrações anteriores,
culpa os trabalhadores e até responsabiliza a estiagem na
região pelo
insucesso administrativo.
O Sinpro/RS reafirma que os problemas da Unicruz estão relacionados
com práticas gestoras equivocadas e falta de
transparência administrativa. Curiosamente, o próprio
Conselho Curador vêm alertando para esses indícios e
para a
necessidade de modernizar a gestão. Essas manifestações
recomendam que deveriam ser tomadas decisões enérgicas
através de uma economia rigorosa em todas as áreas
da instituição, ao invés de simplesmente demitir.
Outra manifestação,
do Ministério Público, em reunião realizada
em março deste ano, recomenda mais transparência nas
decisões: “Deve haver
alguma forma de eleição para presidente da Fundação,
levando-se em conta a finalidade e o que mais convém para
a
Fundação”, advertiu a Promotoria.
Empréstimos Credores da Universidade e devedores dos bancos
A dívida da Instituição atinge os professores
de todas as
formas. A maior parte dos docentes contraiu empréstimos -
tendo como avalista a própria Universidade - como forma de
pagamento dos salários. Ocorre que a Unicruz não pagou à instituição
bancária, que por sua vez está acionando
os
professores. Uma das condições expressas no acordo
coletivo estabelecido no dia 14 de setembro é de que a
Universidade assumiria os empréstimos consignados. Mas
esse compromisso também não foi honrado pela Unicruz.
O Sindicato na ocasião da proposição dos referidos
empréstimos alertou sobre a possibilidade de os professores,
ao assumirem a condição de credores da Universidade,
correriam o risco de virar devedores dos bancos diante de um
eventual descumprimento do acordo pela Universidade, o
que acabou efetivamente ocorrendo. Com essa medida
paliativa, o professor, além de não receber seus salários
em
dia, passou a responder como devedor do sistema financeiro.
O grupo minoritário que optou por não contrair
empréstimos está contando, desde maio, somente com
as
parcelas do acordo realizado em março, o que é absolutamente
insuficiente.