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Década de 70
e 80
1979 - Com a crescente mobilização
da sociedade civil organizada que lutava pela abertura política,
com o avanço do movimento sindical contra o "peleguismo" e
o assistencialismo, os professores particulares entraram em conflito
com a então direção do Sinpro/RS, questionando
o caráter puramente assistencial do sindicato e criando
instâncias numa perspectiva de mobilização
e luta.
No dia 16 de abril, em assembléia, os professores decidiram
formar Comissões Representativas por Escola. A intenção
era melhor coordenar o debate das questões relativas ao
magistério particular. Numa outra assembléia, em
23 de julho, foi eleita uma "Comissão Especial",
com 46 professores, para auxiliar a diretoria, presidida pelo professor
Mendes Geldemann, nas negociações e mobilização
por um abono emergencial de 30%, e também para discutir
a alteração da CLT, para a qual o governo tinha uma
proposta de alteração em um anteprojeto.
1980 - Foi ano eleitoral no Sinpro/RS.
Pela primeira vez na história do Sindicato, inscreveram-se
mais de uma chapa.
•
Chapa 1 - "Independência e Integração"-
situação
presidente: Mendes Geldemann
•
Chapa 2 - "Renovação e Valorização
Profissional"- oposição
presidente: Paulo Coimbra Guedes
•
Chapa 3 - "Defesa da Classe"- oposição
presidente: Raul Anglada Pont
A situação ganhou as eleições e, em
1981 e 1982, o Sinpro/RS não participou da articulação
nacional dos sindicatos que originou a primeira Conferência
Nacional da Classe Trabalhadora, a Conclat, e a Comissão
Pró-CUT. Os professores das chapas de oposição
realizaram campanhas de sindicalização nas escolas,
com o objetivo de ampliar o quadro de associados, divulgar a importância
da sindicalização do trabalhador, mostrar a necessidade
de renovar, dinamizar e fomentar um movimento da categoria que
fosse politicamente avançado, autônomo e que pressionasse
a diretoria da época a assumir a luta. A campanha teve sucesso.
Só em 1981, foram filiados 820 sócios.
1983 - Ano eleitoral, a oposição
conseguiu a unidade e formou uma única chapa. O professor
Mendes Geldelmann organizou a chapa 1 (situação)
e a professora Maria Eunice Garrido Barbieri, da Escola João
XXIII, liderou a chapa 2, "Unidos e Luta".
Pelo estatuto do Sindicato, a chapa vencedora deveria obter metade
mais um dos votos, ou seja, 1.302 na época. Como nenhuma
alcançou esse percentual, houve um segundo turno com maioria
simples, saindo vitoriosa a chapa 1. Ficou evidente o acirramento
da disputa entre situação e oposição.
1984 - Não houve acordo com os patrões e o dissídio
da categoria foi a julgamento. O trabalho da oposição
de sindicalizar os professores continuou. Começaram algumas
mobilizações isoladas por escola em busca de melhores
condições de salário, como a dos professores
do Colégio Anchieta, que fizeram um dia de paralisação
em 19 de setembro, para conquistar o reajuste salarial de 100%
do INPC. Os docentes do Instituto Educacional Sepé Tiarajú fizeram
greve pela readmissão de dois colegas demitidos, sendo que
um deles era o delegado sindical. Esse movimento foi vitorioso.
A oposição intensificou sua ação e,
além do trabalho de sindicalização, interviu
nas assembléias, determinando os rumos organizativos e de
mobilização da categoria.
1985 - Foi realizado o 1º Encontro
Estadual do Magistério Particular. No segundo semestre,
foi desencadeada uma campanha por reposição salarial
de 30%: o sindicato patronal ofereceu apenas 5%. Foi marcado o
dia 19 de setembro para paralisação, com passeata
e ato público na Esquina Democrática, em Porto Alegre.
Pararam 90% dos professores e funcionários. Na capital gaúcha,
a passeata reuniu quatro mil trabalhadores do ensino privado, apesar
da forte chuva.
A categoria começou a discutir a possibilidade de greve.
Foi marcada uma vigília na porta do Colégio Rosário
durante a realização da assembléia patronal
no dia 4 de outubro. Dos 30% reivindicados, a categoria conseguiu
8% para 1º e 2º graus, e 13% para o 3º.
1986 - Ano eleitoral no Sinpro/RS. A oposição
inibiu a diretoria que tentava nova reeleição. Três
chapas se inscreveram para concorrer.
•
Chapa 1 - "Novo Tempo"
presidente: Marcos Júlio Fuhr
•
Chapa 2 - "Atuação"
presidente: Ubirajara da Cruz
•
Chapa 3 - "Unidade e Ação"
presidente: Maria Elizabeth Cadó
A exemplo da eleição anterior, nessa não foi
obtida metade mais um dos votos. No segundo turno, ganhou a chapa
1 - "Novo Tempo".
A posse da nova diretoria, no dia 28 de outubro de 1986, foi marcada
pela mobilização dos professores que fizeram mais
um dia de paralisação. A categoria exigia o cumprimento
da sentença do Tribunal Regional do Trabalho que clausulava
o "limite de alunos por turma". Os professores do Colégio
São Pedro entraram em greve, insatisfeitos com os baixos
salários.
Evidenciava-se, realmente, um "Novo Tempo" no Sinpro/RS.
Havia um sentimento na categoria de que poderia contar com um sindicato
combativo, que lutaria conjuntamente por dignidade, valorização
profissional e melhores salários.
1987 - Greve geral da categoria. Durou
18 dias, de 25 de abril a 12 de maio, levando os patrões à formalização
de um acordo.
Nos dias 16, 17 e 18 de outubro, o Sinpro/RS realizou o seu primeiro
Congresso Estadual de Professores das Escolas Particulares (Cepep),
que contou com a participação de 193 professores,
sendo que, destes, 135 eram delegados eleitos pelos colegas nas
escolas. Entre as resoluções do 1º Cepep estão:
defesa do ensino público e gratuito, a filiação
do sindicato a uma central sindical, a necessidade de organização
por local de trabalho e a continuidade do processo de interiorização.
Ainda em 1987, foi lançada uma campanha massiva de sindicalização.
O Sinpro/RS chegou a cerca de seis mil sócios. Foram criadas
três delegacias sindicais: Bagé, Pelotas e Santa Cruz
do Sul.
1988 - Ano do cinqüentenário
do Sindicato. Foram desenvolvidas várias atividades comemorativas:
Exposição de fotos e documentos históricos,
baile dos 50 anos, torneio de esportes e um seminário sobre
a "Educação, os Professores e a Constituinte
Estadual".
Ao estatuto da entidade foi imputada uma profunda
reformulação,
que o tornou moderno e democrático. Mais quatro delegacias
foram criadas no interior: Uruguaiana, Novo Hamburgo, Santo Ângelo
e Santa Rosa.
1989 - Três greves agitaram a vida
do Sindicato. No mês de março, nos dias 14 e 15, CUT
e CGT chamaram uma greve geral. A adesão dos professores
particulares foi massiva em todo Estado.
A campanha salarial foi unificada com a dos auxiliares de administração
escolar. No dia 8 de abril, mais de dois mil trabalhadores da educação,
reunidos em assembléia, decretaram greve geral por tempo
indeterminado. A greve durou três semanas, terminando no
dia 3 de maio, com a categoria rejeitando a proposta patronal e
encaminhando o dissídio para julgamento.
Os docentes do Senai também realizaram sua greve, primeira
na história dos senaianos. Durou seis dias, de 4 a 10 de
maio, e resultou na conquista do INPC integral.
Mais duas delegacias no interior foram criadas: no Alto Taquari
(Lajeado-Estrela) e em Santa Maria. O número de professores
sindicalizados pelo Sinpro/RS chegava a sete mil.
Em 1989 também foram realizadas eleições no
Sinpro/RS. Concorria, dessa vez, apenas uma chapa, de situação,
com o nome "Segunda Estação", na qual todas
as delegacias do Sindicato estiveram representadas. O resultado
das urnas surpreendeu: 94,2% do colégio eleitoral aprovando
o novo rumo do sindicato, votaram pela continuidade do trabalho
político iniciado em 1986 pela gestão "Novo
Tempo".
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