Presos gestores da universidade de Cruz Alta
Fotos:
Marco Aurélio Nunes |
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A
operação “Toga”, desencadeada
na manhã desta terça-feira, 20, em Cruz
Alta, culminou na prisão do pró-reitor
administrativo da Unicruz, Amilton Nogueira Makosky
e mais três funcionários da universidade:
Eduardo Bresolin, chefe de informática e do
complexo de comunicação, Jair Barboza,
assessor jurídico, e Carlos Rodrigo Godoy Pretto,
chefe de pessoal. O alvo principal da missão,
o reitor Evandro Barbosa Kruel, não foi localizado
em sua casa, mas deve se apresentar em Porto Alegre.
Luciano Dalla Porta, comerciário, também
ainda não foi encontrado. O grupo é acusado
de cometer vários delitos, como estelionatos,
apropriações indébitas, fraudes
contábeis e lavagem de dinheiro. O trabalho
da Força-Tarefa do Ministério Público,
coordenado pelas Promotorias Especializada Criminal
de Porto Alegre e de Cruz Alta, envolveu 50 agentes.
O subprocurador-geral de Justiça para Assuntos
Institucionais, Mauro Renner, enalteceu a qualidade
das investigações das Promotorias de
Cruz Alta e Especializada da Capital, que “conseguiram
apurar um contexto probatório que bem caracteriza
a responsabilidade dos agentes e a materialidade dos
delitos praticados pelos autores, o que levou à chancela
do Poder Judiciário com o decreto das prisões”. |
Agente
examina documentos
na casa do reitor |
BENS
Os pedidos de prisão preventiva, busca e apreensão
e seqüestro de bens dos administradores da Fundação
Universidade Cruz Alta foram solicitadas pelo Ministério
Público. As prisões ocorreram simultaneamente, às
7h30min, nas residências dos implicados, após
a decretação delas pela Justiça que,
ainda, determinou o seqüestro dos bens móveis
e imóveis dos representados. Na operação
foram apreendidos veículos, documentos, arquivos eletrônicos,
computadores, notas fiscais, títulos de crédito
e outros papéis que servem de prova para a responsabilização
penal e ressarcimento dos prejuízos causados à Unicruz.
Os bens alcançam a soma de R$ 3 milhões. Os
agentes foram capitaneados pelos promotores de Justiça
Ricardo Herbstrith, Mauro Rockenbach, Frederico de Medeiros
e João Nunes Ferreira. Sônia Bonilla e Daniel
Bruno, de Cruz Alta, também participaram.
INVESTIGAÇÃO
A Promotoria de Justiça de Cruz Alta, através
do Curador de Fundações Daniel Cozza Bruno,
iniciou a investigação das irregularidades
na Unicruz. Foram apurados graves indícios de que
um grupo organizado agia na universidade. Em novembro, foi
ajuizada ação cautelar requerendo ao juízo
da 1ª Vara Cível a determinação
de realização de perícia consistente
em exame, vistoria ou avaliação, mediante auditoria
externa contábil e investigativa sobre a contabilidade,
negócios, dados, documentos e informações
da Unicruz. Também foram pedidos os afastamentos dos
gestores enquanto não concluído o trabalho
pericial, a nomeação de administrador provisório
e a concessão de liminar para apreensão e extração
de cópia de todos os documentos e informações
constantes nos arquivos e bancos de dados físicos,
eletrônicos e informatizados da universidade.
COMUNIDADE
A medida cautelar foi deferida em primeiro grau.
Contudo, em grau de recurso, o Reitor foi reconduzido ao
cargo. A
decisão da superior instância provocou um movimento
da comunidade acadêmica, que passou a apoiar publicamente
as ações do Ministério Público
e encaminhar notícias de fatos delituosos. Em conseqüência,
a Promotoria Criminal de Cruz Alta também instaurou
expediente que, por determinação do Procurador-Geral
de Justiça, Roberto Bandeira Pereira, passou a contar
com a atuação da Especializada da Capital,
que detém atribuições para investigar
situações de macrocriminalidade.
CRIMES
A continuidade das investigações apurou crimes
contra a ordem tributária, de estelionato, lavagem
de dinheiro, apropriações indébitas,
desvios de recursos e falsidade ideológica na Fundação
Universitária que não pagava seus tributos
e, inclusive, foi multada severamente pela Receita Federal.
Seus gestores também retiraram dos cofres da instituição
uma absurda cifra para a aquisição de créditos
pertencentes a terceiros. Os desfalques aos cofres da Fundação
são expressivos e foram praticados sem qualquer escrúpulo
e menor preocupação para com o momento de crise
financeira enfrentado pela Unicruz.
EMPRÉSTIMOS
A investigação apurou que os implicados utilizaram
indiscriminadamente empréstimos pessoais contratados
a estabelecimentos bancários, bem como realizaram
despesas pessoais em cartão de crédito corporativo
e se locupletaram de adiantamentos para viagens. Em todos
os casos não houve o devido e necessário ressarcimento.
Usavam os recursos da Fundação em seu próprio
benefício, valendo-se da relação de
crédito e débito oportunizada pelo cartão
de crédito.
SAQUES
Outra modalidade de achaque identificada está no
fato dos envolvidos realizarem saques no caixa sem qualquer
registro na contabilidade e sem a confecção
de recibo e necessária devolução na
folha de pagamento. O Reitor também usou de valores
da Fundação para beneficiar empresa da qual é ex-sócio,
bem como efetuou pagamento de dívidas de sua empresa.
O Ministério Público verificou que a organização
estava estruturada de forma a manter o controle de toda a
universidade.
Por: Jorn. Marco Aurélio Nunes (
ascom@mp.rs.gov.br)
Ministério Público do Estado do Rio Grande
do Sul
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