Justiça
mantém afastamento de reitor da Unicruz
A
5ª Câmara Cível de Porto Alegre julgou
improcedente um recurso judicial impetrado pelo reitor
da Universidade de Cruz Alta, Evandro Kruel, para permanecer
no cargo. O reitor está afastado temporariamente
da Unicruz por solicitação do Ministério
Público para realização de investigações
em três inquéritos cíveis e dois administrativos
por suspeitas de gestão temerária. As investigações
deram origem a mandados de prisão contra o reitor
e mais cinco gestores da Unicruz por determinação
do juiz da 1ª Vara Criminal de Cruz Alta, André Luís
de Moraes Pinto. O pró-reitor administrativo Amilton
Makoski, o assessor jurídico Jair Barbosa, o gerente
de informática Eduardo Bresolin e o chefe de pessoal
Carlos Rodrigo Pretto foram detidos na última terça-feira
em uma força-tarefa do Ministério Público
batizada de Operação Toga. Faltou cumprir
os mandados de prisão do reitor e de um funcionário.
| Fotos: Tânia Meinerz |
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Professores
e funcionários da Unicruz e dirigentes
do Sinpro/RS acompanharam julgamento |
A
peça cível do caso foi julgada nesta quarta-feira
pela 5ª Câmara Cível de Porto Alegre.
A sessão presidida pelo juiz Leo Lima foi acompanhada
por professores e funcionários da Universidade,
que organizaram uma caravana e vieram a Porto Alegre. Eles
comemoraram a decisão que mantém o afastamento
do Reitor. Neloá Faria, diretora do Sinpro/RS Cruz
Alta, destacou a mobilização dos trabalhadores
da Universidade e a ação do Ministério
Público. “Os funcionários e professores
pressionaram desde o início para que a situação
de falência a que estava sendo submetida a Unicruz
chegasse ao conhecimento da sociedade e para que os responsáveis
por essa crise prestassem contas à Justiça”,
afirmou Neloá.
Ao ser afastado temporariamente da reitoria a pedido
do MP para que não
interferisse nas investigações, Kruel ingressara em juízo
e chegou a ser reempossado por decisão do desembargador Pedro Bossle.
O pedido para permanecer no cargo foi ratificado por Bossle, que votou favoravelmente.
O desembargador Umberto Sudbrack foi contrário à decisão,
argumentando que o reitor é acusado de tentar destruir provas e coagir
testemunhas nos três dias em que permaneceu na reitoria por força
da decisão judicial. “Mais grave ainda é a decisão
judicial criminal que determinou a prisão preventiva do reitor”,
disse Sudbrack.
A votação foi desempatada pelo presidente da 5ª Câmara.
Lima afirmou que o retorno do Reitor criaria mais constrangimentos à investigação
depois de ter sido constatada a destruição de provas e tentativa
de coação de testemunhas. A partir das acusações
existentes contra os gestores da Unicruz, os juízes que votaram contra
o recurso de Kruel avaliaram que há indícios de uma organização
criminosa nos atos do grupo que estava à frente da Unicruz. As acusações
são de estelionato, apropriação indébita, falsidade
ideológica, coação de testemunha, formação
de quadrilha e lavagem de dinheiro.